Belo Monte: notas de um jornalismo deselegante

Hoje me deparei com um texto escrito por um jornalista que é um exemplo triste do que pode produzir a nossa imprensa. O autor se vangloriava de ser mais inteligente do que uma turma de artistas que resolveu colocar a cara pra bater e se posicionar contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte.  Se vangloriava, vejam só, por “saber” usar o google. Ele, um jornalista, estava a um só tempo, criticando a publicidade feita por um grupo de pessoas e aproveitando a ocasião para compartilhar como público seu vasto conhecimento sobre o tema.

Até aqui tudo bem, toda publicidade deve ser questionada. E o bom jornalismo está aí para isso, para contextualizar as informações que são divulgadas no espaço público. A intenção do autor do texto é mais do que legítima – mas entre a intenção e o texto, o leitor ficou no meio do deserto.

Primeiro o autor reclama dos artistas, dizendo que artistas são pessoas comuns “tão ignorantes em assuntos de represas no Pará como quase todo mundo”. Mas o que deveria servir para simplesmente dimensionar a fala de artistas, colocá-las como uma categoria de pessoas que  têm forte dependência da imagem para viver e que estão ali arriscando a pele para defender uma ideia, seja ela qual for, o texto tomou um outro rumo. Dirigiu-se para a desqualificação arrogante, tratando os artistas como se eles fossem estúpidos, e como se eles tivessem a obrigação de oferecerem uma abordagem jornalística daquilo que estavam falando em um vídeo claramente publicitário.

Não, coleguinha. Artistas não têm compromisso com o jornalismo. Artistas têm liberdade de opinião política, apenas isso. Como qualquer outro cidadão desse país, aliás. Artistas não devem ser cobrados pelo trabalho de informar a população sobre uma obra do porte e da complexidade da hidrelétrica de Belo Monte. Se os artistas estão se posicionando baseados em informações falsas, isso pode demonstrar, no mínimo, o  quanto nós, jornalistas, estamos errando na divulgação desses dados.  Pode ser indício de outras coisas também, mas daí a cobrar deles profundidade? Em uma campanha publicitária?

Outra coisa: ao contrário dos artistas, nós, jornalistas, temos compromisso com a informação. Cabia ao autor do texto, jornalista, abordar o tema com seriedade. Usar termos jocosos e dar uma passeada pelo google não torna ninguém jornalista, muito menos um jornalista bom. Ocupar a coluna de um portal não é a mesma coisa que fazer vídeo publicitário.

É aqui que gostaria de deixar algumas perguntas: se o autor passeou no google, porque não se deu ao trabalho de mencionar em seu texto artigos de antropólogos e cientistas que são contrários a Belo Monte? Por que não teve a curiosidade de saber o que pensam os indígenas a respeito? Por que o autor não procurou mencionar as pendências técnicas em torno da obra? Por que o autor sentiu dificuldade de admitir que podem existir outras alternativas a obra? Por que o autor se esqueceu de mencionar as questões judiciais que envolvem a construção da obra? Por que não achou importante mencionar sob o comando de quem está o Ministério que está tocando a obra? Por que não citou empresas que poderão ser diretamente beneficiada por essa usina?

Se o autor do texto queria fazer apenas um panfleto político tão raso quanto o vídeo criticado, para que usar uma coluna jornalística em um portal? Para que se vangloriar dos conhecimentos “jornalísticos” de uma passeada no google? Isso me soa tão patético! É desrespeitoso com os jornalistas profissionais que estão na rua, que estão lá no Pará cobrindo o dia-a-dia dos ribeirinhos, das populações que serão atingidas pelas barragens, do Ministério Público, dos movimentos sociais e ONGs. Esse tipo de jornalismo é deselegante com o público, que merece ao menos um pouco mais de esclarecimento pra poder se situar no debate.

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41 comentários sobre “Belo Monte: notas de um jornalismo deselegante

  1. Muito bom seu texto! No entanto, o péssimo material escrito pelo tal Marcelo (esqueci o sobrenome) faz coisa mais grave do que um jornalismo deselegante. O cara, despudoradamente, usa de desonestidade intelectual quando, por exemplo, joga dados livremente para tirar conclusões obtusas como a de que a zona de alagamento de Belo Monte é pequena pq o Pará é muito grande…duhhh. Bom…além disso…o texto é um desfile de deboche e preconceito. É extremamente preconceituoso com o estado do Pará (que ele afirma ser um estado vazio) e destila desconhecimento sobre seu povo – que ele diz que é meia dúzia de gatos pingados que vão todos para o Círio de Nazaré…com muito deboche nessa parte. Provavelmente, esse senhor nunca pisou os pés no Pará p/ proferir tamanho absurdo. Ele é dessas pessoas que acham que o Norte precisa ser salvo do atraso…bom…eu acho que o Norte (e o resto da nação) precisam ser protegidos de outro tripo de coisa (e pessoa)… :S!!!

    • É Mayara, escrevi esse texto porque achei que estava demais, parcial demais, leviano demais. E que se é pra criticar um vídeo, que seja com base em informações fidedigna. E não de forma a ser publicidade gratuita do governo federal, como ficou parecendo aos meus olhos. Abraços

  2. Eu li o “tal ” texto no portal e fiquei chocada com tamanha deselegancia! Um discurso blasé de intelectualidade contra o uso comercial da imagem de artistas (soou até com um fundo de inveja).
    É exatamente o que você escreveu acima, os artistas são pessoas comuns que podem expressar suas opiniões e certamente quem está por trás do texto publicitario deu muito mais que uma “passeada” pelo google para escrevê-lo.
    E cabe a cada um decidir de que lado está. Não fosse nosso histórico de obras fraudulentas, superfaturadas e de interesses unilaterais poderiamos acreditar na boa intenção da obra, mas somos calejados.
    Enfim, até onde sei, jornalismo deve ser informativo e o texto do jornalista foi muito tendencioso.

  3. Caríssimo (desculpe não achei o seu nome no texto), concordo em muitos pontos com suas críticas ao texto de um outro jornalista desqualificando o vídeo feito por artistas globais criticando a Belo Monte. Até aí, ok. Recebi o post do vídeo e coloquei, junto com outros amigos minhas críticas não sobre a performace, mas sobre o conteúdo da performace que me pareceu um ataque a qualquer inteligência, realmente, politicamente comprometida. Sabemos que os impasses da Belo Monte começaram ainda em 2000 durante o governo FHC e os únicos que se mobilizaram contra isso foram:1. Indígenas das reservas que seriam prejudicadas pela construção, 2, Ribeirinhos que seriam desalojados de suas casas e suas vidas por uma indenização ínfima e um tratamento desumano, 3. Ambientalistas, biólogos, geógrafos, sociólogos e antropólogos que trabalham junto a esses grupos no interior do Brasil que inclusive fizeram debates, discussões, cursos, palestras e participaram incessantemente das discussões durante a Consulta Pública pontuando o quanto a obra criaria impactos ambientais e sociais para aquela região, 4. Alguns cineastas e estudantes de Comunicação Social que fizeram vídeos sobre o tema na época, o mais famoso “Narradores de Javé” que contou com a participação de atores cuja reputação artística sempre teve preocupação social. Inclusive, duas das participantes do vídeo postado no FACEBOOK são importantes figuras de participação política: Letícia Sabatella e Dira Paes. É claro que o principal problema do vídeo é o argumento, por exemplo: “…pago meus impostos, reciclo o meu lixo”. Primeiro que isso não é relação “cliente-empresa” isso é relação cidadão-Estado. Ela não recicla o lixo dela porque no Brasil não há política de reciclagem garantida a todos os cidadãos que moram nas cidades (vide a quantidade de lixo que se amontoa pelas cidades e que mostra seus efeitos durante as enchentes). Pagar impostos não é prerrogativa para se ser cidadão: tem muita gente que paga imposto e não tem qualquer relação cívica com o Estado ou com outros cidadãos… e por aí vai. O discurso é egoísta, despolitizado e panfletário no pior sentido da coisa. Nenhuma menção foi feita a luta desses grupos que citei acima que não arredaram o pé da discussão até o fim e resistiram como puderam. Lembra daquele caso em que uma tribo invadiu o canteiro de obras de BeloMonte durante as eleições e do Serra disse que eram um bando de arruaceiros que se fosse eleito ia colocar o Exército para dar conta deles? A própria Globo mostrou imagens dos indígenas numa ação de guerra ameaçando a vida dos funcionários da obra e membros da FUNAI se não houvesse uma nova negociação alterando os parâmetros da obra e foram retratados como “animais selvagens”. Isso não aparece no videozinho água com açucar dos nossos globais, E tem mais, foram feitas várias alterações no projeto. Algumas tribos tiveram grandes perdas. O histórico cacique Raoni foi a Brasília para abrir nova negociação e um vídeo postado no FACEBOOK mostra ele chorando de desespero junto aos seus! Isso não apareceu! E NÃO FOI DIVULGADO DEVIDADEMENTE! Recentemente grupos de pistoleiros comandados por ruralistas assassinaram líderes indígenas que estavam na mesa de negociação a muito tempo sobre um monte de coisas, entre elas a PEC do MEIO AMBIENTE que ninguém quer discutir. Então, fazendo as devidas justiças, vamos abrir o olho e colocar em discussão não a performace dos artistas mais as lutas das pessoas que citei aqui que estão nesse luta a muito tempo para assim agirmos de forma POLÍTICA e menos PUBLICITÁRIA! Desculpe pela enfase no final. Abraços.

    • Oi Gizeli,

      Acho que vou mudar o layout, não é a primeira vez que alguém reclama de não ver meu nome no blog.

      Pois então: tudo isso que você colocou é importantíssimo e acho que, se era pra criticar os artistas, essas informações deveriam aparecer junto. O que eu estou vendo é gente desqualificando os artistas por serem da Globo, sem nem ao menos tentar enxergar o imenso debate que existe em torno do tema da construção de Belo Monte. Você está certa e acho que a imprensa no geral está dando uma cobertura muito superficial sobre o que está realmente acontecendo em nosso país.

      Abraços,

      Amanda

      • Gizeli,
        Concordo com absolutamente tudo que você disse, tendo inclusive comentado alguns desses pontos em discussões virtuais ou não.
        Entretanto, entendo que o objetivo do vídeo publicitário era chamar a atenção da população de baixa renda alheia ao problema.
        O problema real é que os argumentos fracos abriram o flanco para a classe média consumista e relativamente mal-informada (ou bem, é copo vazio ou cheio aí).
        Esse é o dilema. O script era simplista mesmo e ruim (ao meu ver). Algumas melhorias poderiam ter sido feitas, mas se tudo fosse corrigido, ficaria complicado e afastaria o público.
        Não estou defendendo, apenas sugerindo uma análise estratégica da questão.
        Rogério Godinho

  4. Gostei muito do seu texto.

    Discordo, porém, em parte.

    Artistas, quando se posicionam publicamente (ainda mais quando suas imagens já contam com um grande reconhecimento público), tem sim compromisso com a informação, ainda mais quando estão ali no papel de influenciar e reforçar uma posição política publicamente.

    Salvem artistas como Chico Buarque, que só se pronunciam quando têm profundidade sobre o que falam, pois sabem que sua fala irá ter grande repercussão na mídia,e que esta pode utilizá-la para as mais diversas finalidades.

    Pena que esse jornalista em questão sobre o qual vc comenta tenha sido tão superficial em seu texto – como anda também (uma pena), aliás, a grande a maioria dos textos jornalísticos.

    • Sim Idacir,

      Todos temos que ter responsabilidade sobre o que dizemos, concordo com você. Talvez meu texto não tenha sido claro: o que eu acho que não deve ser cobrado dos artistas é o tratamento jornalístico. Ou seja, contextualizar dados, formar opinião com base em fatos, fiscalizar o poder – essas são questões jornalísticas que não devem ser cobradas dos artistas. Será que me fiz entender? Abraços!

      • Ótimo texto, Amanda.
        Gostei muito e concordo que o tom de Marcelo Carneiro da Cunha tenha sido deselegante e excessivo. Mas lendo sua réplica ao Idacir, discordo do fato de que o fato de “contextualizar com dados, formar opinião com base em fatos” sejam questões jornalísticas, e, sobretudo neste caso. Se por um lado é verdade que os jornalistas têm um compromisso com a apuração de fatos, quando esses artistas decidiram defender a causa de Belo Monte e fizeram públicas suas perspectivas, tinham a obrigação de apurar os fatos, tanto quanto qualquer jornalista. E se eu digo isso é mais porque eles se colocaram no papel de pessoas que “alertam a população dos males que essa usina irá causar”, deveriam, sim, saber e estar claramente embasados (eu nem sei se posso dizer que não estão, mas é o que parece no vídeo) e serem capazes de contra argumentar. E isso não porque são artistas, mas como cidadãos. Se eu empresto minha imagem a uma causa, o mínimo que tenho é que saber bem quais os meandros dessa causa, seus detalhes, opiniões vigentes, inclusive de especialistas. E sim, acredito que todos eles tinham obrigação disso, como cidadãos que se articulam em prol de um objetivo – no caso, a suspensão da construção da Usina. Discordo totalmente da forma como o jornalista do Terra se referiu a esses artistas, porque se trata ai de uma desclassificação por algo até mesmo idiota (não é porque são bonitos que não sejam bem informados e inteligentes). Mas, como artistas bonitos, bem informados e articulados politicamente em defesa de uma causa, e tendo acesso a uma mídia poderosa, eles têm obrigação (como qualquer cidadão que se mobiliza) de estar bem embasados. Resta saber (eu ainda não li posicionamento deles acerca das críticas ao vídeo) como eles se defendem e de qual lugar crítico falam

  5. Estimada Amanda

    Me enviaram seu texto sobre a minha coluna e discordo de você.
    Não quanto à sua avaliação de uma eventual deselegância, um elemento bastante subjetivo e que você pode utilizar como quiser, mesmo que eu discorde. Poderia ser bem menos elegante, indo além do que eu falei quanto a eles serem desinformados e ingênuos e dizer que o vídeo é mentiroso e feito com a intenção de manipular a opinião e induzir pessoas a assinar um manifesto com base nessas informações falsas.
    Não é preciso ser contra ou a favor de Belo Monte para avaliar a intenção do que é dito a respeito. A missão de um jornalista, mesmo em um momento de opinião, como uma coluna, é avaliar o que é afirmado e dizer ao público honestamente o que acredita que aquilo significa.
    Não estou escrevendo a você por conta de sua opinião sobre a coluna, mas quanto ao seu uso não autorizado da expressão “coleguinha”. Não somos coleguinhas porque creio que não estamos na pré-escola. E não somos colegas, porque um jornalista se define pela forma como reage a afirmações falsas e manipulativas, que tungaram 600 mil assinaturas de pessoas preocupadas com o país e com o futuro. E não é com ingenuidade, desinformação, ou conivência.

    Abraços do não-colega

    Marcelo

    • Marcelo,

      Na boa: você é jornalista. Sou jornalista também. Se você se ofendeu com o termo coleguinha, sinto muito, mas esse é um termo utilizado no meio, e você me pareceu um cara bem humorado pelo tom do seu texto, achei que levaria numa boa. Desculpe-me, eu errei na avaliação.

      Gostaria de reiterar o ponto principal do meu texto: seu artigo foi parcial e jocoso. Passou longe do jornalismo. Você poderia muito bem falar a favor da construção da obra da hidrelétrica, jornalisticamente, com ética. E poderia criticar o vídeo dos artistas com informações, dados esses que o público geral, atingido pelos artistas, provavelmente não possuem.

      Achei um crime você querer falar da obra sem mencionar os índios e sem mencionar a guerra judicial que está rolando em torno do assunto – essas informações são valiosas para quem quer entender o contexto no qual o vídeo dos artistas foi lançado. Por você ser jornalista e ocupar um espaço jornalístico, eu esperava mais do seu texto: mais comprometimento com as informações. Até para dizer que os artistas estão errados é preciso ter ética. Você usou por exemplo, informações falsas pra criticar o vídeo dos artistas, o que para mim é imperdoável. Releia a caixa de comentários do seu próprio texto e você verá que seus próprios leitores apontaram diversas falhas que valem a pena ser verificadas. Se você puder, publique um novo texto com as correções enviadas pelos seus leitores – acho que você vai ganhar mais credibilidade com esse gesto.

      Afinal, como é que você quer ter moral pra criticar as 600 mil assinaturas tungadas através de um vídeo “oportunista”, se o seu texto omite informações cruciais e traz informações erradas sobre os impactos ambientais da obra?

      Abraços de uma questionadora,

      Amanda

      • Estimada Amanda
        Não acredito em contestar os meus leitores. Eu escrevi o que escrevi, eles julgam como acharem melhor.
        Sim, a minha coluna tem um registro de humor; não, o seu texto não levou isso em conta.
        Não, não existe qualquer inconsistência na minha coluna. Leia do começo ao final e aponte uma. Acho que numericamente o único item que não me dei ao trabalho de explicar é a referência aos 11 mil MW versus os que vão ser produzidos em média (exatamente para reduzir o tamanho do lago formado). Mas, em não encontrando, faça a coisa certa e desculpe-se comigo.
        A área do Pará é mesmo aquela, o tamanho do lago completo é aquele, a proporção que ele ocupa é razoavelmente aquela e a população de Belém e do Pará idem.
        Eólicas são terrivelmente poluentes visualmente e em outros termos também, e como no caso das consciências, não existe energia 100% limpa. Existem escolhas a serem feitas.
        Sim, eles usaram a imagem deles em prol de uma causa. Sim , eles manipularam e mentiram em busca de apoio para a causa. Eles mentiram em coisas incríveis, como a localização do Parque do Xingu, o tamanho da área de floresta a ser ocupada (1/3 já é o rio e outro terço já é desmatado), e mentem quando dizem que o dinheiro é de impostos, quando ele é do BNDES e você sabe de onde vem esse dinheiro. Ah, e não há nenhuma aldeia indígena (detesto o uso da expressão “índios”, você não?) na área a ser alagada. Você realmente acha isso aceitável?
        Não entrei nesse nível de detalhamento na coluna e não acho que precisasse. Parte do que a torna muito lida é a abordagem bastante pessoal e de humor e eu prefiro assim.
        Eu disse que me irrita a forma deles falarem dando texto, coisa de ator, e não muito bom, e é verdade, para mim. Eu disse que esse tipo de tentativa de formar opinião é inaceitável. Eu disse que, se querem o meu apoio para a causa, tragam formas e dados reais, e estou sendo absolutamente verdadeiro.
        Eu não defendo Belo Monte nesse texto (li o RIMA, o que espero que você tenha feito, ou faça) e ainda não sei o que acho. O que eu falo que o vídeo é uma manipulação, e que isso é inaceitável, não por ele existir, mas pelas manipulação de corações e mentes que ele busca produzir, na busca de seus objetivos.
        E coleguinha não é expressão carinhosa entre os colegas de profissão.
        Abraços

        Marcelo

      • PSS
        Agora, pensando na sua crítica, concordo com ela em parte. Eu tinha informações mais sólidas do que coloquei na coluna, para contestar o vídeo e os atores. Optei por não usá-las, pelos motivos apresentados. Pode ter sido um erro, a posteriori.
        Sobre consultar autoridades, isso é tão, tão relativamente válido. Esse doutor em arquitetura e meio-ambiente me escreve dizendo: ” A energía eólica nao somente fica na beira da praia meu amigo e estraga o visual, isso é uma falta de informaçao, no sul do nosso país encontra-se um dos maiores parques eólicos do Brasil e da regiao e abastece grande parte da cidade chamada Osório, e tudo isso nas montanhas.”
        Não é verdade e estive lá em agosto. Fica à beira do mar e cercado de lagos.
        Não existe ciência, mas paixão. E essa á uma parte desse inferno.
        Marcelo

      • Marcelo,
        Existir um parque eólico na praia não confirma seu argumento. Como disse o doutor, tais parques podem ser colocados em muitos lugares.
        É evidente que há simplificações (até erros menores) no vídeo dos artistas, mas a mensagem central é: vamos debater.
        É uma mensagem incrível, principalmente se você diz que não tem posição e não defende a Belo Monte. O debate é necessário.
        Ao invés de apoiar, ressaltar ou ao menos citar essa mensagem, você escolheu ridicularizar os artistas.
        E não achou relevante citar que você não defende a Belo Monte. Ou seja, seu artigo serve para a classe média desinformada achar que está tudo certo.
        Entendo o propósito de atender as expectativas de humor e entretenimento do seu leitor, mas esta foi a mesma premissa perigosa de quem fez o vídeo. No seu caso me parece mais grave porque eles não citam você; e você os ataca.
        Triste. Btw, coleguinha é termo do nosso meio. Somos todos, mesmo que você não se considere.
        abcs,
        Rogério Godinho
        ps.: não consigo lhe responder diretamente, mas espero que você leia.

  6. Interessante sua análise. No jornalismo, como em outras profissões tem muita coisa produzida sem qualidade e sem ética. Quando a arrogância está associada a falta de ética e ao poder, temos algo profundamente danoso. Belo Monte, como outros temas que interessam a sociedade e ao futuro, deveriam ser tratados com pluralidade, profundidade e informação qualificada, mas infelizmente pessoas que trabalham com comunicação social que poderiam contribuir significativamente, não o fazem.

  7. ” Um sapo perseguia incansavelmente um vagalume, que não entendia motivo….mas de tanto observar o sapo, começou a perceber algumas de suas características e, ingenuamente lhe perguntou:
    – por que você cospe?!
    E o sapo lhe respondeu:
    – porque você brilha…”

  8. Amanda,
    Acho que vc está certíssima em diversos ptos, como o preconceito do Marcelo e a omissão no texto dele de outros fatores. Mas discordo de vc em um aspecto central. Acho que o vídeo colabora com uma superficialidade que reina nos dias de hj. Td se resume a ser a favor ou contra (seja Belo Monte, as UPPs nos morros, ou a PM na USP). Td fica raso. A campanha fornece diversos argumentos falsos. Menciona rapidamente energia eólica e solar como alternativas, mas omite o qto elas são caras, como produzem bem menos energia, e como não são nem um pouco “limpas” (de formas diversas a de uma hidrelétrica, mas impactam sim no meio ambiente); argumenta negativamente sobre os 4 meses de prod., sem mencionar que isso foi uma concessão do governo para evitar os gdes reservatórios, que forneceriam fluxo nos demais meses (de seca, falta de chuva), e que aí sim impactariam mais; enfim, fornecem ao espectador argumentos rápidos, porém facilmente contra-argumentáveis, e forçam a barra para colocar o cidadão numa postura a que se pode chegar mesmo em posse de mais informação. A idéia toda de atores popularíssimos usados em campanhas como esta entra no círculo vicioso do conceito de “formadores de opinião”, conceito que DEVE urgentemente ser abolido, a favor da informação. Usar a popularidade para manipular (a campanha manipula sim, pois como disse, fornece meias-verdades, omite, distorce) a sociedade cumpre seu papel de manter a população alheia aos processos, alimentada por facilidades, por superficialidades, por lugares-comuns da ignorância (no sentido de falta de informação), massa de manobra. Precisamos querer que a sociedade vá atrás de informações, leia textos longos, de especialistas em diversas áreas, saiba usar a internet para se alimentar de opiniões sim e de informações tb, que reflita em posse delas, e que duvide se tratar apenas de ser a favor ou contra. Sou pessoalmente contra a usina, pode saber. Mas sou antes disso a favor de que as pessoas se emancipem, esqueçam artistas que gostam na hora de se informarem, pode ser alguém que eu odeio expressando algo, mesmo assim eu posso concordar. Pode ser que alguém que eu admiro discorde de mim, não importa, não é um Fla-Flu, não é um twitter-seguidores-de-lideranças, não sou fã(nático), fiel. Ai vc pode voltar ao teu argumento: “mas o que esperar duma campanha publicitária, profundidade??” Não, mas será que as ferramentas de convencimento de uma campanha não formam justamente nosso maior inimigo? Estas ferramentas não se repetem nos períodos eleitorais? Agora vamos CONSUMIR posturas? Acho que nisso, o Marcelo está certo.
    abs!

  9. Ratificando o que já foi dito várias vezes, ótimo texto mesmo… Não estava muito ciente do assunto, mas, seguindo os links, fiquei contra a construção.

  10. Pois eu, depois de ler texto, réplicas, tréplicas e defesas apaixonadas, fiquei mais contra o video dos globais. É uma pena ver priminhos meus compartilhando o videozinho com amigos no facebook como ele expressasse a verdade suprema só porque foram os ídolos deles que disseram. Triste mesmo. Maioria de assinaturas contra Belo Monte, conseguidas pelo tal Gota D’Àgua às custas do video dos globais, a grande maioria das assinaturas, é de gente que não refletiu absolutamente nada a respeito, apenas regurgitou o video. Igual o que vemos no twitter, as paixões cegas pelos ídolos que fazem subir tags de Restarts e Luans Santanas para os trendings topics mundiais. Assinaturas vazias de comprometimento real com a causa.

    • Esse artigo não quis discutir o vídeo, quis discutir uma análise tida como jornalística, derivada do vídeo. Apenas isso.
      Sobre o vídeo ser ruim eu até concordo. Posso até escrever uma rtigo sobre o tema. O que eu não posso é deixar de ver o contexto geral em que ele existe – e é sempre bom lembrar: o ativismo contra Belo Monte é anterior ao vídeo dos artistas globais. Isso eu posso dizer pra você sem medo de errar.

      Abraços,

      Amanda

  11. O texto é interessante, mas devemos estar atentos aos interesses obscuros de certos grupos de pessoas. RAPOSA SERRA DO SOL talves tenhamos perdido aquela imensa área, quem sabe quais as riquezas q tem naquela terra e a vitórias destes “GRUPOS” em mater aquela região inesplorada, agora tentam impedir a construção da usina, sei lá mas eu enchergo algo ruim ainda mais com artistas sabe lá apoiados por quem? acho q o MARCELO pode ter sido um polco empolgado mas a sua razão é notória para mim. O mundo esta de olhos nesta região com cobiça extrtema.

    • Oi, deixa eu explicar: um blogueiro nem sempre tem condições de aprovar um comentário com a velocidade que seus leitores exigem. A tecnologia oferecer a possibilidade de deixar a caixa de comentários aberta para publicação automática das mensagens, sem mediação, opção que eu não utilizo, nem recomendo. Juridicamente é melhor mediar os comentários pois se alguém aparecer aqui para xingar ou ofender, por exemplo, eu é que serei responsabilizada. Espero que você entenda essa questão quando for comentar não só aqui, mas em outros blogs. Aguarde antes de tirar conclusões precipitadas, ok? Abraços

    • Oi, resolvi publicar pois outras pessoas podem ter tido a mesma dúvida. Aproveitei para explicar como funciona a publicação dos comentários por aqui. Se tiver outras dúvidas, pergunte. Abraços

  12. Carissimos,
    Imaginem se todos os quase 200 milhões de brasileiros utilizassem energia elétrica como nós linkados, blogados, tuitados, logados, refrigerados, microndados, televisados, chuveirados, etc. Os que a consomem o fazem para o deleite do conforto usufruido e, pasmem, não abririam mão disso nem que a vaca tussisse energia eólica, solar, maritima e qualquer outra. A questão é simples: Sem estas usinas a alternativa para nos manter em atividade elétrica será nuclear, gás ou óleo diesel.

    • A questão energética é tudo, menos simples: é só o que se discute no mundo inteiro. Já se sabe que o atual padrão de consumo não se sustenta, se continuarmos no ritmo atual não vai ter planeta pra sustentar. Que mal há em admitir isso? Admitir que a questão energética é complexa e não tem respostas fáceis? Abraços

  13. Agora estão querendo me convencer de que a construção de Belo Monte só servirá pra enriquecer Construtoras e, depos de funcionando, só servirá para a Indústria do Alumínio. Caramba, assim não dá. E quem é a favor de Belo Monte é do MAU, quem é contra é do BEM. Assim também não dá.
    É muita desinformação. Viram o video dos Estudantes da UNICAMP? Aquele sim, informa.
    Fazer confusão de desinformação e pôr “medo” nas pessoas pra convencer a pessoa ser contra Belo Monte é algo que em nada contribui pra discussão.

    E eu só achei muito demorada a aprovação ou não do meu comentário. Não queria que fosse automático, sei que assim se pode incorrer em aceitar comentários ofensivos e “criminosos”, embora a grande midia aceite e diz “não somos responsáveis pelas opiniões”. Daí vemos as coisas mais escabrosas atrás do anonimato dos comentários em sites de notícias. Vc está certa. Obrigada pela resposta.

    • learningmorever, discordo do seu comentário, mas achei interessante porque dá para notar que você se informou e formou sua opinião.
      O que eu discordo é o seguinte: qualquer simplificação é ruim, seja as que você criticou ou outras. Não é que a indústria de alumínio seja a grande vilã, mas é fundamental colocar na mesa o fato de que eles consomem uma quantidade absurda de energia, gigante, equivalente a várias capitais. E que o destino da produção é exportado (a maior parte) como matéria-prima de pouco valor agregado para países como o Japão, que decidiram que produzir alumínio era ruim porque consumia muita energia (há outros fatores, mas esse foi o principal, tenho fontes nesse sentido).
      Então temos que considerar fatos como este para decidir de maneira equilibrada o que fazer em nosso país. São muitos fatores. Por exemplo, é lógico que a energia solar é mais cara, mas isso quando comparado com um custo médio global e não o valor superfaturado da Belo Monte.
      O tema está sendo discutido há muito tempo sim, mas deixaram valores e possibilidades fora da mesa porque não eram politicamente interessantes. Quando a opinião pública se mobiliza, os valores políticos em jogo podem se alterar.
      Eu também achei o vídeo dos atores ruim, mas ele teve o fantástico efeito de aumentar o interesse geral da população. Valeu? Acho que sim. Não gostei tanto assim do vídeo da Unicamp, mas já foi melhor. O único problema aqui é se manifestar a respeito desses vídeos de maneira visceral, como se fosse um campeonato de cuspe a distância em que vale menosprezar os participantes, julgar, duvidar do ponto de vista moral, etc.
      Nada disso ajuda, só turva a visão. Vamos aumentar o nível do debate desse Brasil.

      • Fico muito feliz de ver que o debate aqui está bonito de ambos os lados. Acho que quem passear por aqui vai se beneficiar muito. Agradeço a vocês por compartilharem suas ideias nesse espaço. 😀

  14. Discordo terminantemente sobre a opinião sua de que não se deve cobrar profundidade de artistas sobre temas que falam. É um absurdo eles simplesmente sairem falando coisas sobre as quais não entendem e nunca, veja bem, nunca, estudaram! Eles mexem com uma boa parte da população e podem sim gerar opinião, muitas vezes absolutamente equivocadas. Não concordo, nem discordo sobre Belo Monte. Mas, te garanto. Se for defender ou atacar, primeiro vou estudar. Esses artistas, a partir de hoje, ganham meu mais profundo desprezo intelectual.

    • Talvez não tenhamos tantas discordâncias assim: acho que não me fiz suficientemente clara! Artistas são cidadãos e como tais têm o direito de opinar politicamente – até você Paulo, tem esse direito. Acho muito bom que pessoas (jornalistas ou até mesmo você) confronte com artistas, digam em que pontos estão errados, corrija-os. Isso é a democracia. O que eu não considero positivo é essa ideia de que artistas (1) não podem opinar e ponto, como se eles fossem cidadãos desprovidos de cidadania e (2) como se eles tivessem que cumprir papel jornalístico de apurar, mediar e serem isentos. Porque o papel de mediar debate é do repórter, do jornalista. Um trabalho jornalístico exige isenção, equilíbrio, ouvir os muitos lados de uma questão, fazer mediação de diversos pontos de vista, verificar dados, conversar com fontes oficiais, e trazer informações fidedignas para que o leitor tenha a capacidade de formar por si só um ponto de vista. O meu ponto é que alguns jornalistas parecem querer que artistas cumpram esse papel. Espero que, se no texto não fui clara, aqui nesse comentário eu tenha conseguido me fazer entender. Abraços

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