A arte da divergência

Queridos e infiéis leitores, 2011 será o ano de desenvolver a arte da divergência. Bom, pelo menos para mim, que agora virei mãe, já completei 30 anos e to precisando dar um tapa no meu modus operandi no que diz respeito ao ato de expressar opiniões diferentes das de meus ouvintes/leitores. Quem já é mestre nessa arte não precisa ler o post todo.

Em bom português: ao invés de mandar tomar no c* aqueles camaradas que pensam diferente de mim, farei um esforço para, pelo menos, manter a boa educação. Porque falar (ou escrever) mesmo que seja uma grande besteira, é necessário. Ficar engolindo sapo em nome de uma paz incômoda (paz sem voz, não é paz, é medo, já disse um cantor aí…) é pior do que ser mal educado. Mas quem falou que não dá pra falar e manter o respeito? É claro que sempre dá pra respeitar, vamos crescer!

😀

Divergir com educação, com carinho, é mais do que simplesmente exercer um direito de livre expressão: é uma arte necessária, que eu gostaria de cultivar pra vida. Quando eu vejo essa arte no outro, eu até me emociono.

Recentemente andei lendo alguns textos polêmicos dos meus blogueiros de esquerda prediletos que pecam pela falta dessa arte. O que me impressiona é que é gente de esquerda, culta, bem humorada, talentosa, com leitores de bom nível educacional e político. Em tese essa gente boa deveria ouvir a divergência tranquilamente, bem como tecer comentários de modo a não diminuir os seus interlocutores.

É aí que a gente percebe que aceitar a divergência também é uma arte das mais difíceis. Por mais tarimbado que seja um blogueiro, um escritor ou articulista, a prática sempre mostra o quanto ainda há para aprender na arte de tecer na divergência, de aceitá-la, de compor com ela uma visão mais generosa da vida. É mais fácil cair na defensiva e enxergar no outro um inimigo, né? Quem já reagiu assim na militância levanta a mão o/

Confesso que sou uma pessoa que gosta de divergir – não pelo prazer de discutir, mas pela beleza da sinceridade, de expressar algo que possa contribuir para o esclarecimento das pessoas. Parece simples, não? A verdade é que divergir é uma arte das mais complicadas pois, se a gente “erra a mão”, o interlocutor leva a crítica para o lado pessoal e começa a ficar paranóico, achando que a gente quer destruir uma credibilidade duramente conquistada, uma harmonia conseguida à duras penas, enfim, a gente se torna, involuntariamente, o cocô do cavalo do bandido. O engraçado é que quando a gente “acerta a mão”, parece que ninguém percebe o sacrifício que foi elaborar aquela crítica, com aquelas palavras, com aquele tempero de amor que o interlocutor precisa pra se sentir valorizado como, sei lá, “irmão de esquerda”.

Amigos, não podemos achar que lidar com a divergência é uma arte menor, um mero detalhe. Não é, meus amigos, não é. É preciso reconhecer esse inimigo oculto que pode aflorar em nós a qualquer momento, em qualquer idade: a nossa própria dificuldade de lidar com as diferenças. Que em 2011 nós possamos nos aperfeiçoar cada vez mais na arte da divergência.

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