A política me chama

Achei muito boa a iniciativa do presidente Lula de conceder uma entrevista coletiva para blogueiros. Não é todo dia que o presidente de um país se dirige a comunicadores da blogosfera que não são patrocinados pelas grandes empresas de mídia.

Também vale destacar que as questões levantadas pelos blogueiros foram de interesse público: houve muitas cobranças sobre problemas encalacrados na gestão petista, perguntas espinhosas e relevantes pra população em geral, não só para os blogueiros e pitaqueiros de plantão. Deixar de reconhecer isso é atentar contra os fatos. Querer dizer que foi uma conversa entre amigos é completa dor de cotovelo leviandade.

Mas, amigos, perguntar não ofende: onde estão as mulheres? As mulheres blogueiras?!

OiÊ!!! Óia eu aqui, minha gente!

Ao que me consta o pedido de entrevista partiu do movimento (vou chamar assim…) dos blogueiros progressistas. Para quem não sabe, trata-se de um coletivo marromeno organizado de blogueiros que se reuniu em São Paulo nos dias 21 e 22 de agosto de 2010 para, de modo geral, confraternizar e defender a liberdade na internet.

Apesar de eu não ter participado fisicamente do evento, eu apóio a causa e acompanho os debates via internet. Eu me sinto parte desse movimento, tamonessatamojunto e é na qualidade de membro que venho aqui manifestar algumas, hm, observações.

Fiquei chateada pela pouca representatividade das mulheres blogueiras nessa coletiva de imprensa. E fiquei duplamente chateada com o Azenha, que já estava considerando a justa manifestação das feministas e, de repente, deu uma escorregada nessa frase: “Quem sabe as mulheres não se organizem, agora, para fazer uma entrevista da “turma da luluzinha” com a presidente Dilma.” Veja aqui o contexto dessa frase. No resto, considero o artigo excelente.

Aí não, colega!!!! Que mané Luluzinha?! Quer dizer que as mulheres é que têm que se organizar no paralelo, porque do contrário a gente não tem vez? Colega, não custa dar o braço a torcer, a gente tem que fazer o que prega… Vamos engrandecer, vamos corrigir essa falha na próxima tá?

Estou vendo que a política me chama. Vou passar a escrever mais artigos políticos, quem sabe? E olha que eu moro em Brasília. Quero ver qual vai ser a desculpa que os blogueiros progressistas vão arranjar pra esconder o mulherio que escreve na blogosfera.

A outra observação que tenho a fazer faz tempo que estou ensaiando… Mas vamos lá: por que Progressistas no nome do movimento?!?!

Valei-me Deus! Essa palavra é tão traiçoeira!!! Vou enumerar os motivos:

1. Progressista segundo quem? Todo mundo pode se julgar progressista, tucanos, marinistas, ecologistas, ditadores, petistas… É o tipo da palavra que traz uma subjetividade nefasta. Parece até que está escondendo um posicionamento político ao invés de revelá-lo.

2. Progressista no Brasil político/partidário é uma palavra que me lembra um partido ( veja aqui na wikipedia) que eu queria esquecer!

3. Progressista me lembra o “progresso” da nossa bandeira nacional, que por sua vez me lembra o positivismo. Quer dizer, tem um monte de blogueiro rompendo paradigmas, buscando liberdade, vanguarda coisa e tal e a palavra que eles escolhem é algo que lembra o positivismo?! Not!

4. Para não dizer que eu estou só criticando sem construir, vou dar aqui algumas sugestões que se aproximam mais do que o movimento realmente é: independentes/ de esquerda/ humanistas… A vantagem de se intitular de esquerda ou algo que a ela remeta é que daí a gente não vai fazer o que criticamos nos outros… Ou seja: se nós criticamos a parcialidade da mídia que se autoproclama imparcial, porque diabos estamos aqui posando de “progressistas”, quando na realidade a gente é de esquerda mesmo?!?

Ou não somos de esquerda?

Bão, acho que a discussão é válida. Ajudem a divulgar!

Atualização: a Lola também escreveu um excelente artigo sobre a falta da representatividade das mulheres na coletiva, leiam aqui.

Anúncios

2 comentários sobre “A política me chama

  1. Amanda, prazer em conhecer teu blogue. Muito legal! Se não estou enganada, essa polêmica toda sobre a entrevista dos blogueiros com o Presidente começou já na véspera, dia 23, quando enviei por email para 8 deles pedido de esclarecimentos, até agora (!) não respondido… Se você puder, entre no meu blogue e leia os posts dos dias 23, 24, 25 pra você entender meus pontos de vista. E aí você certamente não dará razão ao post do Azenha que fala da “pequenez humana”… Em nenhum momento eu critiquei por ser mulher e/ou ter sido excluída. O problema é muito maior: 1. Se eles estavam articulando a entrevista desde agosto, por que só 1 dia antes (menos de 24 hs.!) a notícia foi “liberada” na internet? 2. Os 340 do I Encontro que não foram “escolhidos” pra ir e mais outro tanto de blogueiros do Brasil todo foram deixados de lado… Quem os autorizou a fazer isso? 3. Quais os critérios de escolha da “comissão entrevistadora”? Em nenhum momento eu afirmei que a entrevista com o Presidente foi uma conversa entre amigos. O que eu disse foi que a ESCOLHA dos entrevistadores foi uma “ação entre amigos” porque eles “se escolheram”, se “autoselecionaram”, entendeu? Eles devem muitas explicações. Não a mim, mas aos 340 e outros tantos que foram ignorados, e aos milhares de leitores da Blogosfera, que eu chamo de Blogosfera Cidadã. Te convido a conhecer meu blogue e se informar sobre a minha posição nos posts que venho publicando. Também passarei sempre por aqui pra saber do que você anda falando… Abraços e boa sorte! Sonia/Abra a Boca, Cidadão!

Os comentários estão desativados.