Balanços?

Deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar

Todo ano tem natal, todo ano tem o final de ano, a virada. Como se a vida não pautasse seus próprios ciclos de nascimento, crescimento e morte, recomeço. Como se um calendário judaico-cristão ocidental pudesse dar algum sentido a esse caos.

Como se um feriado de natal pudesse apagar toda a violência dos dos dias que o antecedem. Das horas perdidas no trânsito, da fumaça, do egoísmo dos terrenos improdutivos, das comidas que vão para o lixo, no trabalho exaustivo ou na falta de trabalho, na desconfiança, no medo, na ignorância.

Estou falando desse papel de trouxa que a sociedade capitalista nos impõe e do qual é difícil se livrar.

Como se a virada de ano pudesse nos dar a esperança necessária para continuar movendo as peças, resistindo. Como se soubéssemos do que exatamente se trata esse jogo, que é maior e mais complexo do que o próprio capitalismo.

E lá sabemos? Do que se trata essa vida?

Assisto de longe e de perto as pessoas que precisam urgentemente de dinheiro, mas não têm condições de obtê-lo. Pessoas que trabalham horas seguidas, sem tempo para um contato mais profundo com sua própria alma, que dirá com a vida do próximo. Pessoas que agem em busca de felicidade e só conseguem atrair a desgraça e a humilhação de quem mais elas queriam bem.

O Espírito Natalino ainda há de perdoar a ranhetisse dessas linhas mal confessadas. E já que ele está presente, vou fazer um único pedido: sabedoria. Sabedoria porque mesmo que não me falte nada, nem saúde, é difícil demais permanecer vivo e mentalmente saudável num mundo como esse.

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