Muda-se até o léxico se preciso for para não se ver alguns crimes…

Senhor Gilmar Mendes,

Faz tempo que quero lhe escrever uma carta aberta. Mas resolvi esperar até a noite de hoje, quando me sobrou algum tempo para essas linhas.

Venho aqui lhe dar os parabéns por proibir policiais de dar nomes às operações que eles realizam para apurar crimes e oferecer provas à justiça. Afinal, para quê dar nomes a essas operações? Para saciar a sede da mídia por escândalos? Para inflar o ego de uns e outros? Para facilitar o entendimento da população sobre que tipos de crimes são cometidos contra elas, contra o erário, contra a coisa pública?

Em nome do princípio da igualdade, peço-lhe um favor, se me permite: que o senhor também proíba jornalistas de apelidarem crimes de corrupção, lavagem de dinheiros e etc. com nomes pouco pomposos, como “mensalão”, “pasta rosa”, “lulagate” e afins. Que se dê o nome jurídico correto a esses casos, certo?

Experimente. Será que o senhor consegue?

Claro que o senhor consegue. O senhor já conseguiu liberar dois habeas corpus em menos de 24 horas. O senhor já conseguiu ofender a inteligência de muitos brasileiros, e sem perder um milímetro de seu status de poder. O senhor já conseguiu envergonhar toda uma categoria de trabalhadores da justiça, e também de pedreiros, donas-de-casa, professores, eletricistas, desempregados, enfim, gente que, apesar da justiça que temos, acredita que viver honestamente vale a pena.

O senhor consegue tudo, não duvido que consiga calar a imprensa, boa parte dela já está calada diante do caso Dantas. A outra metade o senhor consegue ofender gratuitamente, em discursos de qualidade jurídica duvidosa.

Eu é que não consigo processá-lo por injúria, nem por difamação, nem por calúnia. Eu é que não consigo me calar diante de tamanho abuso. Abuso de autoridade. Abuso de ignorância. Abuso, enfim. Abuso.

Parabéns, mais uma vez, por conseguir acelerar o processo de apodrecimento das instituições.

Sem mais,

Amanda
Expressando uma simples indignação.
Porque o Gilmar Mendes pode tudo, até me prender. Só não pode ditar meus pensamentos.

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