Amyra El Khalili

Anotem o nome dessa mulher: Amyra El Khalili. Como eu nunca tinha ouvido falar dela? Essa mulher disse tudo o que eu nem sabia que queria dizer. Segue a entrevista. A matéria na íntegra está publicada no Vi o Mundo.

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Quando a senhora percebeu que poderia usar seus conhecimentos sobre mercado financeiro em favor do meio ambiente?

Comecei minha carreira no mercado financeiro como recepcionista da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), na época em que foi fundada. Com o tempo, ocupei várias posições em diversos departamentos. Foi quando me convidaram para trabalhar na corretora do presidente da Bovespa. Tive oportunidade de fazer vários cursos, pois para cada iniciativa ganhava uma bolsa de estudos. Então, por empenho e dedicação, recebi um convite para trabalhar na mesa de operações da BM&F. Em menos de dois anos me tornei um dos maiores operadores do mercado. Cheguei ao estágio máximo de conhecimento e passei à posição de consultora da BM&F, entre outras instituições. Mas sentia que o meu conhecimento não era para aqueles fins. Estávamos no mercado financeiro especulando fortunas ao mesmo tempo em que havia muita pobreza e miséria no Brasil. Não me sentia bem com isso. Alcancei nesta etapa um grau de consciência muito profundo, vivenciando guerras e conflitos. Foi quando comecei a estudar o binômio água e energia, e a co-relação entre as guerras e o sistema financeiro.

Como a senhora avalia a questão dos créditos de carbono como paliativo para os problemas de aquecimento global?

Começar a comercializar poluição é o último nível da degradação ambiental e humana. O chamado “compra e venda de créditos de emissão”, é a coisa mais negativa que pode existir no “mercadismo” que o ser humano conseguiu produzir. O movimento deveria ser o contrário: buscar mecanismos financeiros para eliminar a especulação que resulta na degradação ambiental. Hoje, ocorre o oposto, que é financiar para matar. Queremos um sistema que financie a vida.

No futuro é possível que tenhamos conflitos entre países pela luta de recursos naturais?
Estamos vivenciando atualmente, só que de outra forma na América Latina e no Caribe. Mas isso já acontece no oriente Médio, por exemplo. O exército nacional ainda não está na rua em decorrência dos conflitos pela água, mas em Cochabamba, na Bolívia, houve convulsão social por causa da água, e no Espírito Santo, aqui no Brasil, foi registrado um caso de morte por disputá-la. No Uruguai, tiveram que reformar a legislação para que a água voltasse para as mãos do Governo e da sociedade, pois as águas estavam todas na mão da iniciativa privada, assim, foi feito um plebiscito sobre a reforma hídrica para devolver as águas para a população. Água é um bem de uso público, pertence à nação, então você não pode simplesmente cercar uma bacia hidrográfica e dizer-se dono da água, determinando que a beba quem você quer!

Quais são os principais problemas ambientais que o Brasil enfrenta hoje?
Temos problemas seríssimos, como saneamento básico. No Nordeste inteiro há seca. Algumas regiões têm água, mas não pode ser consumida pela população porque está contaminada. Nessas bacias hidrográficas, por exemplo, despejaram efluentes, ou seja, dejetos como urina, fezes, esgoto químico sem tratamento. A água, o rio, o mar, não devem ser canais para despejarmos nossos excrementos, resíduos industriais e lixo. Estima-se que os maiores degradadores de águas no Brasil sejam as próprias prefeituras. A indústria passou por uma pressão tão violenta que, por força de lei, precisou desenvolver sistemas de gestão ambiental com filtros, reciclagem e reutilização de água, sendo hoje o setor que menos polui. Mas isso não quer dizer que não tem indústrias que poluem. No Rio Grande do Norte, no Nordeste, muito desejo in natura está sendo despejado diretamente no mangue, rios e mar. Recentemente foi denunciado por Rose Dantas, uma bióloga ambientalista, o maior desastre ambiental no Rio Grande do Norte: 40 mil toneladas de peixes foram mortos, e as pessoas que comeram os peixes contaminados estão morrendo. Lançaram resíduos químicos no mangue indiscriminadamente. O mangue deságua nos rios e, consequentemente, contaminou o Rio Potengi, a principal fonte de abastecimento da cidade de Natal. Eles acham que o mangue é lugar de coisa suja. Escondem facilmente o despejo ilegal de dejetos no mangue por causa do odor característico do lugar. E os pescadores de mariscos, de ostras, que vivem da pesca, como ficam? O mangue é rico, produz muitas espécies e mantém o equilíbrio biológico da costa marítima, entre outros benefícios ambientais e sociais.

Como economista e educadora, você acredita que o planejamento econômico atual incentiva o consumismo exacerbado e contribui para a degradação do meio ambiente?
A economia de mercado não é uma virtude ou um defeito do capitalismo, é um modelo de sobrevivência político. Não devemos dissociar a política da economia, porque os economistas apresentam, por exemplo, o melhor plano econômico, mas se o político não aceitar, não há como implantar a proposta, por melhor e mais legítima que ela seja! Definitivamente, o mercado financeiro está com câncer. E o que faz uma célula cancerígena? Metástase. Ela se propaga no corpo da economia e vai destruindo. Matando-a aos poucos, com muito sofrimento. Para que o mercado financeiro seja fruto de uma economia saudável, é importante desenvolver uma célula com o mesmo movimento que a metástase. Se essa célula for introduzida no corpo da economia, ela propagaria o Bem. É preciso combater a exclusão social e a degradação ambiental como parte dos resultados dessa economia. Quando excluímos o outro somos, todos nós, sem distinção, impactados diretamente. Estamos também nos excluindo por algum motivo e sentindo as dores desse processo.

Como é possível mudar essa realidade?
É necessário projetar na mente das pessoas imagens positivas, de auto-estima, de valores humanos e espirituais, trabalhando a consciência. É um processo de resgate, de cura, não de culpa – porque somos sempre bombardeados pela grande imprensa com essa noção de culpa. Vivemos um modelo de sucesso materialista onde Ter é melhor que Ser. Que mensagem estamos passando para os nossos jovens? O que nós estamos dizendo para a sociedade quando a gente só propaga a doença, o mal, a violência, o oportunismo? Tenho crenças! E por isso que ainda estou em pé, fazendo coisas. Acredito no poder da informação. Uma informação clara, transparente e didática. Podemos ter opiniões, mas não vamos decidir pela sociedade. É na palavra consciência que está o poder de decisão, e não adianta fugir dela. Gosto muito da expressão nova consciência porque não podemos dizer que as pessoas não estão conscientes, elas estão, mas num padrão de verdade antigo, velho, desgastado. Existe consciência sim. Mas a consciência de que eu preciso ganhar dinheiro, que preciso pagar as contas, que preciso lucro, que é lucro a qualquer preço. Uma consciência que está profundamente doente em estado terminal.

Então é a partir da informação que a sociedade saberá se posicionar e transformar o mundo?
Exatamente! O que os impede de manipular a população é a democratização da informação. Quando uma revista como a Universo Espírita faz entrevista com quem pensa e se expressa diferente, quebra-se o ciclo vicioso do maniqueísmo. É quando essa informação chega às comunidades, nas pessoas que não têm informação com opções. A camada mais humilde da sociedade, em especial, está assinando contratos sem saber o que assinou e acabam se comprometendo com um arsenal de instrumentos econômicos e jurídicos tornando-se escravos. Quando traduzimos essas informações, as colocamos à disposição da sociedade, passamos a inibir a ação de especuladores e oportunistas. A única forma de mudar esse modelo materialista e consumista que vivemos, combater essa autofagia financeira, é a informação disponibilizada democraticamente, de forma transparente e isenta, para que o cidadão possa decidir sobre seu destino.

O que são créditos de carbono?
Créditos de carbono são Certificados de Redução de Emissões (CERs) que autorizam o direito de poluir. O princípio é simples. As agências de proteção ambiental reguladoras emitem certificados autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes. Inicialmente, selecionam-se indústrias que mais poluem no país e, a partir daí são estabelecidas metas para a redução de suas emissões. As empresas recebem bônus negociáveis na proporção de suas responsabilidades. Cada bônus, cotado em dólares ou euros, equivale a uma tonelada de poluentes. Quem não cumpre as metas de redução progressiva estabelecidas por lei, tem que comprar certificados das empresas mais bem sucedidas. (Amyra Khalili, em artigo para a revista Fórum de Direito Urbano e Ambiental, edição nº 38/2008)

Para saber mais
Se é de informação que precisamos para ajudar no combate à degradação ambiental, nada melhor do que começar com a leitura de bons livros. Nos últimos anos, muitos autores que já se dedicavam a pesquisa sobre o meio ambiente resolveram lançar livros e disseminar seus conhecimentos sobre questões ecológicas. Confira alguns deles:

Os Desafios da Sustentabilidade – Uma Ruptura Urgente; de Fernanda Almeida; Editora Campus;

Guia do Planeta Terra – Para Terráqueos de 12 a 120 anos; de Art Sussman. Editora Cultrix-Amana-Key;

A Árvore do Conhecimento; de Humberto R. Maturana e Francisco J. Varela. Editora Palas Athena;

Economia do Meio Ambiente; de Peter H. May e Maria Cecília Lustosa. Editora Campus;

Sobre a Natureza e o Meio Ambiente; de Jiddu Krishnamurti. Editora Cultrix;

Riscos – O Homem como Agressor e Vítima do Meio Ambiente; de Yvette Veyret. Editora Contexto;

Por que Proteger a Natureza? – Aprendendo Sobre Meio Ambiente; de Jen Green e Mike Gordon. Editora Scipione.

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6 comentários sobre “Amyra El Khalili

  1. Amyra El Khalili, uma brasileira que não interessa para rede Globo. Não vende, não dá ibope, vamos divulgar nos meio de comunicação que estão em nosso alcance. internet, email e outros.

  2. Caros, gostei demais do blog e fico também sensibilizada com o carinho e a deferência pelo meu trabalho. Ontem foi publicada uma entrevista comigo de página inteira no Jornal O Estado de Minas, com o tema “Pacto a favor da Paz”. Se desejarem, posso enviar por email. É só contatar através do mulherespelapaz@bece.org.br.
    Um abraço de esperança e persistência, por espaços como esses tão essenciais as vozes distoantes!

  3. [20100322 Terræ Registra] Dia Mundial da Água 2010. A situação de abastecimento de água no SUDESTE é crítica. A escassez é realidade .População mobiliza-se em todo o país em exemplares ações cidadãs participativas de mobilização e reflexão em prol da água. , em Peruibe na baixada santista milhares de estudantes manifestam-se . Dentro da floresta nos cumes da Serra do Mar o Movimento em prol da Duplicação Sustentável da BR116 mobiliza-se para proteger as fontes de água ameaçadas por mais esta atitude imprudente. Por que não proteger a qualidade e quantidade destas águas serranas. Potencializar as águas ainda puras e fartas da Serra do Cafezal…. Serra do MAR é dever de todos!! É sabido que evitar o dano é mais econômico. Estas águas fartas hoje e puras ainda, servirão para o abastecimento público metropolitano ainda neste século. Razão pela qual a qualidade e quantidade das águas , cujas fontes estão nas bordas planálticas não devem ser impactadas irreversivelmente. Vejam o que estamos protegendo:

    http://network.earthday.net/photo/photo/slideshow?albumId=1734264:Album:99644

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    22 Março de 2010- Salve a Bacia do Caçador! Todos vivemos rio abaixo. Para o benefício comum, proteger as fontes d´água da contaminação é dever de todos. Não se pode deixar esta responsabilidade apenas nas mãos do governo. Prevenir é mais econômico ( ONU, 2010)

    O Centro de Referência do Movimento da Cidadania pelas Águas Florestas e Montanhas Iguassu Iterei, , celebra in situ e globalmente pela web, o Dia Mundial da Água 2010, difundindo virtualmente a campanha da ONU-AGUA e as ações emblemáticas do movimento pela Duplicação Sustentável da Br116-SP para SALVAR A BACIA DO CAÇADOR: nas cabeceiras da Serra do Mar, recobertas pela Mata Atlântica remanescente. As ações da sociedade civil em prol das alternativas sustentáveis para a Duplicação da BR-116 na Serra estão respaldadas em pareceres técnicos, científicos e jurídicos de conceituados especialistas . As ações do Centro de Referência celebrando o DIA MUNDIAL DA AGUA 2010 visam pedagogicamente dar conhecimento público do que tem sido feito , em prol da Água latu sensu , no que tange a qualidade e a quantidade , tanto globalmente como especificamente nesta Serra, para garantir a salvaguarda da Terra para a presente e futuras gerações. A campanha do CR MCPA FM Iguassu Iterei dá continuidade às realizadas desde 1998 no DIA MUNDIAL DA AGUA .
    Conforme, Léa Corrêa Pinto, coordenadora de Iguassu Iterei, a presente contribuição está amparada nos princípios do conhecimento e informação , da participação, da precaução e da prevenção, que são essenciais quando se lida com a mudança de clima , a importânica de se evitar a poluição da água, elemento essencial à vida, a perda acelerada da biodiversidade , as crises da água do mundo e o lobby pela flexibilização global da legislação ambiental .

    http://s.lourencinho.sites.uol.com.br/2010wwd/1.htm
    http://s.lourencinho.sites.uol.com.br
    http://s.lourencinho.sites.uol.com.br/2010wwd/Amyra.htm

  4. Amyra. Sinta um pouco o nosso drama com a Vale e a CST, instaladas em Tubarão, Vitória, Espírito Santo – Brasil.

    RECUSADO por A Tribuna e A Gazeta
    O texto a seguir foi oferecido aos nossos principais jornais: A Gazeta e A Tribuna. Onde sempre publico artigos desde 1966.
    Não houve interesse nesta publicação

    GENEROSIDADE CRESCENTE

    Quando a Vale comemorar 15 anos como empresa privada, em maio de 2012, o projeto “A VALE, A VACA E A PENA” chegará à 16ª edição. A primeira tela desenhada com a poluição atmosférica em 1997 (veja o processo do desenho em http://www.galveas.com ) mostra um labirinto e a inscrição “Encontramos a saída”? Julgava, que sendo a Vale uma empresa estatal, a fiscalização feita pelo Estado estava relaxada. Perguntava se, com a privatização, a poluição seria fiscalizada.
    Nesse ano seu lucro foi de U$ 270 milhões, e ela foi vendida em leilão por U$ 3,7 bilhões.
    A nossa instalação artística foi planejada como registro do último ano de poluição da estatal. Porém, ao perceber que o pó preto em nossa casa e no trabalho estava aumentando visivelmente, remontamos a instalação em 1998 nas mesmas condições do primeiro ano e desenhamos mais uma tela para a coleção da Casa da Memória do ES.
    Em seu primeiro ano como empresa privada, o lucro da Vale foi de U$ 756 milhões; no ano seguinte, de U$ 1,29 bilhões. Quinze anos depois, chega a quase U$ 30 bilhões.
    Enquanto o lucro da empresa alcança valores astronômicos pelo desempenho fantástico da sua área financeira, impressiona a decadência da qualidade de vida em seu entorno: aumento da poluição e dos problemas sociais e políticos.
    Quando as primeiras siderúrgicas foram instaladas na Ponta de Tubarão, a sota-vento da Grande Vitória, os cientistas Ruschi e Michel Bergman apontaram a impropriedade do local. Naquele tempo a consciência ecológica era restrita e se fazia premente a geração de empregos, devido a quebra do café, do cacau e da forte migração do campo para nossa capital.
    Entretanto, uma empresa considerada de alto risco já no inicio, quando suas dimensões eram relativamente modestas, vem se expandindo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. No relatório da CPI da Poluição da AL-ES, Resolução Nº 1.808/95, portanto, três anos antes da privatização, médicos e cientista (Jose Carlos Perini, Ana Maria Cassatti, Valdério Dettoni e Ennio Candotti) apontam danos irreversíveis à nossa saúde persistindo a poluição das siderúrgicas. Não foram ouvidos.
    Quanto maior o lucro, mais ativa foi a siderúrgica, o que gerou maior produção e mais poluição. O descaso do governo em identificar os responsáveis faz contraponto com a lista, publicada na imprensa, dos principais contribuintes às campanhas eleitorais do governo.
    No séc. XXI, com expressiva consciência ecológica, e existindo uma proposta de transferir o parque siderúrgico de Tubarão (considerando que esse custo será absorvido pelo formidável lucro anual da Vale, quase dez vezes maior do que o preço pago por toda ela), a mudança se faz oportuna.
    Quando julgávamos que, no alvorecer deste século, a fase de expansão das siderúrgicas em Tubarão havia cessado, o governo passado autorizou a construção da Usina 8, gigante que faz as sete usinas pioneiras parecerem anãs. Com dimensões fabulosas, é coisa que ninguém no mundo quer ter como vizinho.
    Ressuscitaram as Wind fences, cercas para vento que haviam sido rejeitadas por eles mesmos nos anos 90, e mais uma vez convenceram a quem ansiava por ser convencido: o Governo
    Com uma escova ou pincel, lance sobre uma folha de papel um pouco do pó que pelo ar chega à sua casa todos os dias. Sob essa folha, movimente um ímã, desses que enfeitam a geladeira. Observe que parte da poeira sobre a folha acompanha a movimentação do ímã. Essa poeira que o segue é constituída de pequenas limalhas: fragmentos de ferro Fe2, a maioria com dimensões microscópicas. Ela é importante matéria prima que há 16 anos uso para desenhar as telas da nossa provocação artística, graças à “generosidade” sempre crescente das grandes empresas de Tubarão. Gostaria muito que ela me faltasse este ano.
    Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 http://www.galveas.com março/2012

    PS. Esse texto faz parte da 16ª edição do projeto A VALE, A VACA E A PENA. Como faço há 16 anos no dia 17 de março, instalei uma tela para receber a poeira por 50 dias.

    Este ano acredito que será especial, pois a Vale completa 15 anos como empresa privada; as wind fences foram instaladas; a poluição aumentou; a empresa recebeu o “Oscar da Vergona” e a super Usina 8 deve começar a funcionar.
    Gratíssimo por sua atenção. Se julgar interessante, favor repassar para amigos.
    Abraço, Kleber Galvêas

  5. A entrevista da Amyra foi maravilhosa, essa mulher tem uma sensibilidade muito grande. Conheço essa mulher e tenho certeza que podemos aprender muito, principalmente se juntando á ela, parabéns Amyra.

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