Nossas raízes

Hoje o STF vai julgar outro caso indígena, dessa veze sobre os processos relacionados à demarcação da Terra Indígena Caramuru-Paraguassu, do Povo Pataxó Hãhãhãe, no sul da Bahia. O portal Terra está com uma matéria bem equilibrada sobre o tema.

No caso Raposa Serra do Sol, as manifestações continuam pelo mundo:

MOÇÃO DE APOIO
As (os) assistentes sociais dos 05 continentes do planeta (Ásia e Pacífico, América do Norte, América Latina, Europa e África) reunidas (os) em sua 19ª Conferência Mundial em Salvador‐Bahia, afirmam o seu apoio à manutenção dos atuais limites da terra Indígena Raposa Serra do Sol, que sofre investida
pela revisão de sua homologação, ocorrida em abril de 2005.

Confiam em que o Supremo Tribunal Federal do Brasil reafirme sua posição anterior favorável à garantia dos direitos constitucionais desses povos ao seu território.

Salvador, 19/08/2008.
Participantes da
19ª. Conferência Mundial de Serviço Social

Ao meu ver o principal problema ainda é o preconceito com relação ao nosso passado indígena. Só o preconceito justifica a quantidade de argumentos falaciosos ventilados na grande imprensa, que só encontram resistência em alguns sites alternativos. Com preconceito não existe diálogo, sem diálogo não há democracia, sem democracia… É diatadura nas páginas de jornais e nas veias da vida.

Índigenas são pessoas de carne e osso, com alma, desejos, virtudes e defeitos. Parece uma bobagem, mas se isso realmente fosse do senso comum não teríamos jovens tocando fogo em índios nos pontos de ônibus e gente que se sente “branca” a ponto de propagar impunemente as mentiras mais deslavadas sobre os indígenas.

Nós herdamos muito da cultura desses indígenas a ponto de não podermos, jamais, considerá-los estrangeiros dentro de nossas terras, como pregam subliminarmente alguns. E estaremos fadados ao fracasso como nação se simplesmente dizimarmos esses indígenas como quem usa inseticida pra acabar com uma praga num jardim. Temos que lutar por um espaço de diálogo, de entendimento, de integração pacífica com esses indígenas que estão aí procurando nada além de um meio de existir dignamente. Proteger esse espaço de diálogo é proteger nossa história, nossa cultura, nossa alma, nossas raízes. O STF tem um grande desafio pela frente.

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