Escultura

Mármore e ao mesmo tempo artista. Cresceu um braço onde eu já havia lascado a pedra. Teima. Teima em ser artista. Homem das cavernas! Observa atentatemente o reino inanimado das rochas do caminho, dos tijolos que sobraram pras crianças riscarem a amarelinha. Observa o quanto o olho cresce essas coisas todas, jogadas na vala comum dos dias passados. A pedra, a história da pedra, a vida que eu dei para a pedra, a pedra no museu. E eu? Sou o braço do escultor que poda a pedra, e sou a pedra. As duas coisas. Uma o movimento. A outra, a espera. Uma querendo ser a outra. Depressa. Ex-cultura. Nós, na mesma peça.

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