Somos todos reféns da política partidária?

A aprovação do código florestal pelos deputados é marco de uma interessante passagem política: o PT conseguiu mostrar que é refém do próprio PT (Palocci), do PMDB e dos ruralistas. Esse estilo de governar conciliando com gregos e troianos não é inédito: foi desenvolvido por Lula e alcançou alguns êxitos, embora não tenha sido suficiente para contemplar as demandas da esquerda. O que é inédito é o grau de contradição que esse jeitinho de fazer política alcançou: a esquerda abraçando escancaradamente a bancada ruralista!

É verdade que o Lula já tinha abraçado uns camaradas detestáveis? É verdade. Mas depois de 8 anos tendo que encarar essas manobras altamente questionáveis, qual resultado conseguimos? O resultado é esse aí: o PT refém de tudo, sem margem de manobra e sem direito a espernear. Sim, sempre aparece um militante governista pra dizer: aguarde e confie, tem que articular (não me pergunte o que vem a ser esse articular, porque, né, como se nesse tempo todo não tivesse rolado conversa de bastidor), espernear atrapalha o jogo.

Oi? Espernear atrapalha o quê? Vamos olhar como está esse jogo…

A correlação de forças do nosso querido Congresso Nacional está levando o PT cada vez mais para o centro, de tal forma que a esquerda vai desaparecendo. A Dilma já entrou sem peão nesse jogo, fazendo aliança com o PMDB durante a eleição. E já perdeu vários cavalos, torres e bipos pelos corredores do congresso, enquanto os mesmos grupinhos de direita de sempre não perdem um peão sequer nesse xadrez. Daqui a pouco a Dilma tá jogando só com o rei e a rainha!

Aliás, é de se perguntar, o que é o rei e a rainha para um partido de esquerda como o PT, que se presta até a ajudar a bancada ruralista? O PT precisa é de terapia! rsrsrs Tá com transtorno de identidade!

O que muito dos blogueiros governistas não querem enxergar é que não existe articulação possível por dentro do Congresso – o apoio às causas de esquerda ali é muito, muito restrito. E eu não to aqui falando de radicalismo, eu estou falando das causas mais básicas e elementares da esquerda! O jogo político (não falo de corrupção, mas de de métodos que eu não usaria para fazer política ) está claramente engessando qualquer ação mais identificada com as causas da esquerda festiva, esclarecida e esperneante.

Tá, mas se a solução não está lá, está onde?

Está aqui, na blogosfera! Aqui nós da esquerda festiva, esclarecida e esperneante podemos nos expressar sem medo de ser feliz, sem precisar retribuir favor de quem quer que seja. A gente precisa aproveitar melhor essa liberdade para expressar nossas ideias e alcançar uma união com pessoas que expressem pensamentos semelhantes aos nossos. A partir do momento que rolar essa identificação genuína (não estou dizendo que não há influências/divergências entre blogueiros, mas que elas são em muito menor escala do que as que existem na política partidária do congresso) dá pra disputar algum tipo de poder mais pra frente.

Acho importante a gente se organizar, resgatar essa liberdade pra mudar esse cenário no congresso (assim, organiza aqui fora pra desorganizar lá dentro, se é que vocês me entendem). Não estou dizendo que de uma hora pra outra teremos força pra barrar uma lei que nos prejudica: estou dizendo que a gente precisa se apropriar dessa ferramenta, que é a internet e suas redes sociais, para fazer política de uma outra forma, mais independente. Precisamos semear os debates, emitir opiniões, estimular a nossa diversidade, pra chegarmos a um consenso por aqui, com nossas consciências tranquilas, sem se contaminar com as pressões que sobram no congresso. Afinal, nós não estamos na blogosfera pra representar políticos, nós somos os caras que botaram os políticos lá pra governar! Parece ridículo, mas é isso mesmo: nós é que temos que dizer o que queremos. Cabe a nós dizer o que é possível! Não podemos nos comportar como reféns da política partidária!

A blogosfera é livre! E é território da diversidade. Vamos estimular as pessoas a se expressarem, a discordarem do que está colocado aí. Depois que cada um colocar sua ideia, daí podemos verificar em que pontos nós estamos de acordo e aí sim, estabelecer uma agenda de lutas e compromissos. Essa é a minha contribuição ao debate, a caixa de comentários está aberta para quem quiser dar mais ideias ou sugestões para reagirmos diante desse quadro.