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		<title>Produtos orgânicos terão selo federal</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 19:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já estava demorando: a partir de 2010 os produtos orgânicos terão um selo do governo federal, o que vai facilitar a identificação desses produtos no mercado. Os produtos serão certificados pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SISOrg).
A notícia é muito boa, ajuda a dar mais credibilidade aos produtores orgânicos e dá mais segurança [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=412&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Já estava demorando: a partir de 2010 os produtos orgânicos terão um selo do governo federal, o que vai facilitar a identificação desses produtos no mercado. Os produtos serão certificados pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SISOrg).</p>
<p>A notícia é muito boa, ajuda a dar mais credibilidade aos produtores orgânicos e dá mais segurança pra quem está pagando caro por essa saudável opção! Resta saber se um dia teremos enfim produtos orgânicos com valores mais competitivos. Atualmente, pra levar uma fruta orgânica pra casa gasta-se duas ou três vezes mais o preço de uma produzida nos moldes convencionais. Essa pesquisa não é nada científica, eu to chutando uma média com base nos preços do supermercado Pão de Açúcar perto de casa, aqui em Brasília, não sei como é em outros estados.</p>
<p>A Secretaria de Comunicação da Presidência da República informa que os requisitos para a utilização do selo foram publicados no Diário Oficial da União, em portaria desta sexta-feira (6). O uso do selo está sujeito à verificação com as normas regulamentadas pelo Organismo de Avaliação da Conformidade (OAC), credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).</p>
<p>O governo também teve a feliz iniciativa de lançar um site sobre orgânicos, no endereço <a href="http:///www.prefiraorganicos.com.br" target="_blank">www.prefiraorganicos.com.br</a>. Lançado no último dia 28 de outubro, o endereço eletrônico registrou mais de dois mil acessos em 10 dias. Os internautas brasileiros representaram 80% das entradas, com 1.675 visitas, principalmente de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O site também despertou interesse de franceses, americanos, portugueses, alemães e italianos.</p>
<p>É minha gente! Agora só falta o governo inventar um selo pra identificar os produtos que têm origem ou compostos de organismos geneticamente modificados (também conhecidos como &#8220;trangênicos&#8221;). Vamos torcer!</p>
<p>Esse artigo bem que merece ser replicado no <a href="http://www.ecoblogs.com.br" target="_blank">Ecoblogs</a>, não?! Será que alguém já divulgou essa excelente iniciativa por lá? Bora pessoal, bora divulgar que notícia boa é pra circular.</p>
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		<title>Golpe democrático, ditabranda e o pobre herói</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 03:27:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
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		<description><![CDATA[Vivemos tempos realmente incríveis: os jornais, as TVs, as emissoras de rádio, os blogs e sites publicam a todo instante idéias que num primeiro momento parecem facilmente aceitáveis, mas que no fundo exigem um pouco mais de tempo para nossa reflexão. Vou citar três exemplos que tenho lido com certa freqüência ao longo dos últimos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=405&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vivemos tempos realmente incríveis: os jornais, as TVs, as emissoras de rádio, os blogs e sites publicam a todo instante idéias que num primeiro momento parecem facilmente aceitáveis, mas que no fundo exigem um pouco mais de tempo para nossa reflexão. Vou citar três exemplos que tenho lido com certa freqüência ao longo dos últimos três meses: os termos &#8220;golpe democrático&#8221; e &#8220;ditabranda&#8221; e o conceito que vou chamar aqui nesse artigo de &#8220;pobre herói&#8221;. </p>
<p>O primeiro deles &#8211; &#8220;golpe democrático&#8221; &#8211; está sendo citado quando o assunto é Honduras. Um sociólogo pós-graduado, articulista de uma grande revista semanal brasileira (Época) escreveu um artigo no mínimo intrigante sobre como esse brilhante conceito se aplica ao caso de Honduras, dizendo, em resumo, que Micheletti deu um &#8220;golpe democrático&#8221; ao tirar o presidente eleito &#8220;Zelaia&#8221; do poder. </p>
<p>Confesso que fiquei sem entender. Quer dizer que no dia que eu discordar politicamente do governador Arruda, aqui em Brasília, eu posso convocar a polícia pra ir até a casa dele, pegar ele de pijama, botar num avião e jogar o cara em alguma cidade da Argentina, e isso será considerado democrático? Nossa, vou fazer isso amanhã mesmo!</p>
<p>Vamos falar sério. Pode a democracia nascer de um golpe? E a assembleia constituinte, serve pra quê? é enfeite? Algum jurista, algum entendedor de teoria do estado ou o que seja pode me dar alguma explicação razoável sobre isso? Eu preciso de uma explicação pois termos como esse &#8220;golpe democrático&#8221; circulam impunemente pelos jornais como se fosse a coisa mais natural e elementar o do mundo. Azar é o meu que não tenho &#8220;inteligência&#8221; pra entender desse tema.</p>
<p>No blog do espaço aberto há uma explicação bem interessante de <a href="http://blogdoespacoaberto.blogspot.com/2009/10/golpe-democratico-nao-existe.html" target="_blank">como esse termo simplesmente não pode existir</a>. E se não pode existir, trate-se de uma falácia. E onde há falácia, há fogo: o que não se quer discutir? Por que é tão difícil admitir o fato de que Honduras sofre um golpe de estado? É fato, minha gente. Por que o tal cientista político que escreveu o artigo na Época não defende abertamente o golpe de estado em Honduras? Aqui no Brasil nós somos democráticos, o cara pode defender a opinião que ele quiser, mas por favor, vamos nos basear nos fatos. </p>
<p>A &#8220;ditabranda&#8221; é outro exemplo de termo que serve para encobrir um fato. O que houve no Brasil foi considerado ditadura e pronto. Não existe régua de medir a brutalidade de uma ditadura. Se é ditadura, é brutal. Pois o jornal Folha de São Paulo chamou de ditabranda a nossa ditadura, atitude que ultrapassa qualquer liberdade opinativa. Se a Folha de São Paulo é a favor da ditadura, vai lá e defende. Se ela considera que torturar, suprimir direito de defesa e coisas desse tipo que ocorreram na ditadura brasileira, são &#8220;um mal necessário&#8221; vai lá e expressa a opinião. Está no direito dela de opinar livremente nesse país democrático. Mas não inventa ditabranda, porque isso não existiu e nunca vai existir.</p>
<p>Agora vamos ao conceito do &#8220;pobre herói&#8221;, que é mais sofisticado, sutil. Quem já não leu aquela matéria falando que o desemprego é grande porque as pessoas de baixa renda não são qualificadas? Ou então dizendo que o acesso às universidades públicas ainda é o mais democrático porque o critério é de mérito, entra quem tem capacidade? Ou ainda, dizer que a solução para quem nasce pobre é estudar e trabalhar a vida toda? Tudo isso é verdade, sim. Metade da verdade. A outra metade é a criação do que eu chamo do mito do &#8220;pobre herói&#8221;, construído e reconstruído todos os dias na imprensa e na vida cotidiana.</p>
<p>Todas essas meias verdades escondem o fato de que nascer filho de um analfabeto, num lugar pobre da periferia, sem água encanada, dividindo um cômodo com tantos outros irmãos, estudar (quando não estiver vendendo bala no farol) naquela beleza de colégio público, e ao mesmo tempo almejar vencer na vida não é viver. É um ato de heroísmo!</p>
<p>Claro que estudar e trabalhar é importante. É óbvio. Mas o que deveria ser mais óbvio é a diferença entre nascer com condição digna (ter uma infância sadia, estudar, se preparar, entrar no mercado de trabalho depois de uma faculdade e outras qualificações devidas) e nascer num lugar sem condição nenhuma, em plena situação de vulnerabilidade social. É uma competição covarde.</p>
<p>É você obrigar que toda a pessoa pobre seja um herói para conseguir viver dignamente. E mais: você deixa de discutir políticas públicas, começa a criticar o bolsa família, começa a achar que a pessoa que nasceu pobre nasceu assim por um azar divino, ou porque é preguiçosa e por aí vai um mar de explicações. No final chega-se a uma cultura que só aceita o pobre se ele for herói, isto é, se ele vencer todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Ele não pode simplesmente ser gente, tem que ser herói, tem que provar que o sistema está certo, que a melhor política é essa que está aí. E ai de quem se organizar pra pleitear coletivamente por algo melhor.</p>
<p>Podem observar! Comprem aquelas revistas que falam do &#8220;candidato ideal&#8221; para o &#8220;emprego ideal&#8221;. Observem como elas colocam no âmbito individual um problema que na maioria das vezes é do coletivo. Precisamos pensar coletivamente em formas de incluir mais pessoas no trabalho, com uma jornada de trabalho reduzida, com mais qualidade de vida para todos.</p>
<p>É hora de questionar a acumulação de dinheiro que não tem lastro no trabalho! </p>
<p>Pensem num empresário, num bem-sucedido empresário. Por mais que ele trabalhe num posto de altíssima complexidade e responsabilidade, 10 horas por dia ou mais, não há o que justifique ela ganhar 100 mil vezes mais pelo seu trabalho do que uma outra pessoa de que exerce um trabalho menos especializado. Como o sistema permite tamanha discrepância na valorização do trabalho?</p>
<p>Permite porque não se discute. Coloca-se o desemprego no âmbito individual. São sempre os trabalhadores que não se esforçam para se encaixar nos empregos gerados, eles é que não têm ambição, que não sabem se comportar numa entrevista de emprego. Ou seja, as causa estruturais nunca são levadas a um debate aberto e público, nunca estão nas novelas, nas artes, nos programas humorísticos, para participação popular.</p>
<p>Encerro esse artigo com uma tinta profética: essas grandes falácias vão cair uma a uma. Questão de tempo. Até lá, façamos a nossa parte: vamos seguir denunciando as falácias pelo território livre da blogosfera. </p>
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	</item>
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		<title>Ator Pedro Cardoso esclarece o que é interesse público</title>
		<link>http://amanditas.wordpress.com/2009/10/14/ator-pedro-cardoso-esclarece-o-que-e-interesse-publico/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 17:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pedro Cardoso concedeu uma entrevista para  Leda Nagle e nos brindou com uma lúcida explicação sobre o que é interesse público e sobre como os donos das grandes mídias estão embaralhando esses conceitos, por motivos estritamente econômicos. Já era fã desse ator, agora fiquei mais fã ainda. Confiram. É pra assistir e divulgar. 

Obs. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=403&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Pedro Cardoso concedeu uma entrevista para  Leda Nagle e nos brindou com uma lúcida explicação sobre o que é interesse público e sobre como os donos das grandes mídias estão embaralhando esses conceitos, por motivos estritamente econômicos. Já era fã desse ator, agora fiquei mais fã ainda. Confiram. É pra assistir e divulgar. </p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://amanditas.wordpress.com/2009/10/14/ator-pedro-cardoso-esclarece-o-que-e-interesse-publico/"><img src="http://img.youtube.com/vi/VymyNyHfMQ8/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Obs. Agradeço ao Nassif por ter publicado esse vídeo em seu blog: <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/14/um-libelo-contra-a-invasao-de-privacidade/" target="_blank">http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/14/um-libelo-contra-a-invasao-de-privacidade/</a>.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amanditas.wordpress.com/403/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amanditas.wordpress.com/403/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amanditas.wordpress.com/403/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amanditas.wordpress.com/403/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amanditas.wordpress.com/403/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amanditas.wordpress.com/403/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amanditas.wordpress.com/403/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amanditas.wordpress.com/403/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amanditas.wordpress.com/403/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amanditas.wordpress.com/403/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=403&subd=amanditas&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Arquivo do jornalista Aloysio Biondi será doado a centro de documentação da Unicamp nesta sexta</title>
		<link>http://amanditas.wordpress.com/2009/09/16/arquivo-do-jornalista-aloysio-biondi-sera-doado-a-centro-de-documentacao-da-unicamp-nesta-sexta/</link>
		<comments>http://amanditas.wordpress.com/2009/09/16/arquivo-do-jornalista-aloysio-biondi-sera-doado-a-centro-de-documentacao-da-unicamp-nesta-sexta/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 16:45:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
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		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[acervo]]></category>
		<category><![CDATA[Aloysio Biondi]]></category>
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		<description><![CDATA[Excelente notícia do coletivo do Biondi! Acompanhei o processo de organização dos arquivos até a doação do acervo para a Unicamp. Leiam e comemorem vocês também!   
Material resulta de 44 anos de atividade de um dos mais destacados e combativos profissionais que a imprensa brasileira já teve
Quarenta e quatro anos de jornalismo, traduzidos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=401&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Excelente notícia do coletivo do Biondi! Acompanhei o processo de organização dos arquivos até a doação do acervo para a Unicamp. Leiam e comemorem vocês também! <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  </p>
<p><em>Material resulta de 44 anos de atividade de um dos mais destacados e combativos profissionais que a imprensa brasileira já teve</em></p>
<p>Quarenta e quatro anos de jornalismo, traduzidos em passagens por diversas redações, extensas jornadas de trabalho, incansável pesquisa e preocupação permanente com os rumos de nossa nação e as condições de vida da população brasileira. Essa é a substância do arquivo pessoal de Aloysio Biondi, que será doado nesta sexta (18) ao Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalio (Cedae). A doação faz parte do projeto O Brasil de Aloysio Biondi (<a href="http://www.aloysiobiondi.com.br" target="_blank">www.aloysiobiondi.com.br</a>), idealizado por sua família e por amigos e ex-alunos com o objetivo de manter vivos e de divulgar os ideais de um dos mais respeitados profissionais de imprensa que o país já teve.</p>
<p>O jornalista publicou mais de 2 mil artigos, editoriais, entrevistas e reportagens ao longo de suas quatro décadas de atividade profissional. Grande parte desse conjunto documental foi mantida por ele ou recuperada pelo projeto de memória, e será transferida ao Cedae, órgão vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O acervo compreende também livros, revistas, recortes de jornal, relatórios, censos e outras fontes de informação consultadas. Muitos itens contêm anotações de Biondi e dão precisas indicações sobre seu método de trabalho.</p>
<p>A cerimônia de doação do acervo ocorrerá às 10h, na sala de defesa de teses, no 2o. piso do bloco VII do Instituto de Estudos da Linguagem. Contará com a presença dos filhos de Aloysio Biondi, Pedro, Antonio e Beatriz; da ex-mulher, Angela Leite – mãe dos seus três filhos e sua companheira por cerca de 20 anos –; do secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt; do reitor da Unicamp, Fernando Costa; do Diretor do IEL, Alcir Pécora; e do coordenador do Cedae, Jefferson Cano.</p>
<p>&#8220;A doação para a Unicamp cumpre exemplarmente com o objetivo de tornar público o acervo do jornalista&#8221;, avalia Antonio Biondi, coordenador do projeto O Brasil de Aloysio Biondi. &#8220;A manutenção do arquivo na universidade consolida a contribuição de Aloysio e de sua obra para a memória e o futuro do jornalismo brasileiro e de nossa sociedade.&#8221;</p>
<p>Ao longo de 25 anos, o IEL vem sediando pesquisas nas áreas de linguística e estudos literários. Em 2008, o instituto iniciou o programa de mestrado em divulgação científica e cultural, resultante de uma parceria com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). O curso, com sua proposta de formar especialistas capazes de abordar sob diversos enfoques o jornalismo de divulgação da ciência, tecnologia, arte e cultura em geral, integra diferentes áreas do conhecimento e reforça a tendência que norteou a criação do IEL: a promoção de uma reflexão crítica sobre todas as manifestações da linguagem. Em consonância com essa expansão da pós-graduação do IEL, o Cedae implementa uma nova diretriz à sua política de acervos, que se abre para a captação e guarda de conjuntos documentais de interesse para a história e a linguagem do jornalismo, de modo a acompanhar e subsidiar o desenvolvimento dessa nova área de pesquisa na Unicamp. </p>
<p><strong>Aloysio Biondi (1936-2000)</strong> é considerado uma referência no jornalismo, sobretudo na área econômica. Sua carreira começou em 1956, na então Folha da Manhã, hoje Folha de S. Paulo. Ele também trabalhou na Gazeta Mercantil, no Jornal do Commercio, no Diário do Comércio e Indústria-DCI, no Correio da Manhã, no Diário da Manhã, no Diário Popular, atual Diário de S.Paulo, e nas revistas Veja, Visão e Fator. Colaborou, ainda, com artigos em diversas publicações alternativas, com destaque para o jornal Opinião, um dos mais importantes espaços de debates durante o regime militar, e as revistas Bundas e Caros Amigos. Biondi ganhou dois Prêmios Esso, em 1967 e 1970. Publicou, em 1999, o livro O Brasil Privatizado – Um Balanço do Desmonte do Estado, pela Editora da Fundação Perseu Abramo. O estudo, que faz um balanço entre o que o governo auferiu e despendeu no processo de desestatização da economia, vendeu mais de 140 mil exemplares. </p>
<p>O arquivo que será doado ao Cedae exigiu do projeto O Brasil de Aloysio Biondi nove anos de catalogação de material impresso, pesquisas em bibliotecas, visitas a jornais, discussões via e-mail e reuniões. Além do acervo em papel, o trabalho permitiu a postagem de mais de mil artigos e reportagens no site www.aloysiobiondi.com.br. Entre os temas abordados estão soberania nacional e dependência externa, privatizações e o papel do Estado, agricultura, emprego e renda, meio ambiente, direitos do consumidor e ética jornalística. Até o momento, o acervo online abrange a produção de Biondi nas décadas de 60, 70, 80 e 90, incluindo as matérias com que ele venceu o Prêmio Esso. A página, toda em em software livre, traz também depoimentos do jornalista em áudio e vídeo, fotos de momentos marcantes de sua carreira e de sua vida e fac-símiles de alguns de seus principais trabalhos. Estão ali, ainda, testemunhos sobre ele escritos por Washington Novaes, Luis Fernando Verissimo, Emir Sader, Janio de Freitas e Ziraldo, entre outros.</p>
<p>O projeto de memória de Aloysio Biondi foi iniciado em 2000, ano de sua morte. Trata-se de um projeto coletivo, que reúne mais de 50 pessoas em participação voluntária. São parentes, amigos, ex-alunos e leitores do jornalista. Contabilizando os que ofereceram colaborações mais esporádicas – revisar um texto, por exemplo –, o número de participantes passa de 200. A equipe e os colaboradores também podem ser conhecidos na página da internet. </p>
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		<title>Balada de Agosto</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 03:22:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Balada de Agosto]]></category>
		<category><![CDATA[Fagner]]></category>
		<category><![CDATA[Zeca Baleiro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Salve Zeca Baleiro! Salve Fagner!
***
Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras
Que não digo
Mesmo na luz não há quem possa
Se esconder do escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=399&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://amanditas.wordpress.com/2009/09/08/balada-de-agosto/"><img src="http://img.youtube.com/vi/4cQH-UWRcPE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Salve Zeca Baleiro! Salve Fagner!</p>
<p>***<br />
Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto<br />
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado<br />
Tanto orgulho que não meço<br />
O remorso das palavras<br />
Que não digo<br />
Mesmo na luz não há quem possa<br />
Se esconder do escuro<br />
Duro caminho o vento a voz da tempestade<br />
No filme ou na novela<br />
É o disfarce que revela o bandido<br />
Meu coração vive cheio de amor e deserto<br />
Perto de ti dança a minha alma desarmada<br />
Nada peço ao sol que brilha<br />
Se o mar é uma armadilha<br />
Nos teus olhos</p>
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		<title>Blog do Planalto está no ar</title>
		<link>http://amanditas.wordpress.com/2009/08/31/blog-do-planalto-esta-no-ar/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 04:22:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Blog do Planalto]]></category>
		<category><![CDATA[pré-sal]]></category>

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		<description><![CDATA[Adorei o blog do Planalto!
Vejam o post de hoje e comentem.
Pré-sal: patrimônio da União, riqueza do povo e futuro do Brasil

(programa Café com o Presidente desta segunda-feira dedicado ao novo marco regulatório do Pré-sal. Para baixar arquivo em melhor qualidade, clique aqui)

O Brasil está dando mais um passo para alcançar uma nova era: Lula reúne [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=396&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Adorei o blog do Planalto!<br />
Vejam o post de hoje e comentem.</p>
<p><strong>Pré-sal: patrimônio da União, riqueza do povo e futuro do Brasil<br />
</strong></p>
<p>(programa Café com o Presidente desta segunda-feira dedicado ao novo marco regulatório do Pré-sal. Para baixar arquivo em melhor qualidade, clique aqui)</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://amanditas.wordpress.com/2009/08/31/blog-do-planalto-esta-no-ar/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Cefoe0xuIb8/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>O Brasil está dando mais um passo para alcançar uma nova era: Lula reúne hoje o todo o Ministério e o Conselho Político do governo para fechar a proposta das novas regras de exploração e produção de petróleo e gás natural no País. São mudanças muito importantes para que os recursos petrolíferos descobertos pela Petrobras abaixo da camada de sal do Oceano Atlântico sejam bem aproveitados e se transformem em uma riqueza para melhorar a vida de todos os brasileiros – especialmente os mais pobres. Esses recursos são importantes também para o desenvolvimento consistente e presença marcante do Brasil no mundo.</p>
<p>O governo precisa fazer as mudanças nas regras de exploração e produção de petróleo no País porque o cenário mudou desde a descoberta do Campo de Tupi. Em novembro de 2007, a Petrobras informou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que seus estudos geológicos indicavam a existência de grande potencial petrolífero na Plataforma Continental, em uma área de 149 mil km², que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina.</p>
<p>Veja mais detalhes no vídeo abaixo:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://amanditas.wordpress.com/2009/08/31/blog-do-planalto-esta-no-ar/"><img src="http://img.youtube.com/vi/htiFq_As64w/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>A probabilidade de se encontrar petróleo nessa província marítima, que é do tamanho dos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, juntos, passou a ser muito grande. E o modelo de concessão criado para atrair investimentos das empresas petrolíferas multinacionais deixou de ser interessante para o País.</p>
<p>Confira aqui o novo site da Petrobras com 10 perguntas para você entender o Pré-salPelas regras atuais, as empresas que vencem uma concorrência para a exploração de um bloco passam a ter direitos sobre tudo que for descoberto, desde que paguem os tributos e as participações governamentais definidas em lei.</p>
<p>Pelo novo modelo que o governo está propondo, o de partilha, a União passa a ser “sócia” das empresas que investirem na exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil, mas mantém o controle dessas atividades por meio de uma empresa pública que será criada com esse propósito. Passa também a dividir os “lucros” com as empresas contratadas, recebendo sua parte em petróleo e gás natural.</p>
<p>Esse modelo só será aplicado para as áreas que ainda não foram licitadas pelo regime de concessão, que equivalem a cerca de 72% do Pré-sal ou 107 mil km². Para os 28% já licitados (42 mil km²), permanecem as regras atuais de contratação e distribuição da participação governamental na produção do petróleo.</p>
<p>A criação de uma nova empresa pública para defender os interesses do governo federal nos empreendimentos petrolíferos – principalmente os da área Pré-sal – tem como objetivo assegurar o maior volume de recursos possível para o Novo Fundo Social que será criado para investir em programas de educação, ciência e tecnologia e combate à pobreza.</p>
<p>A descoberta do Pré-sal é uma benção, mas é também uma recompensa gratificante para todos os que acreditaram e lutaram para provar a capacidade, a competência e a criatividade que o povo brasileiro tem para vencer desafios, mesmo aqueles considerados impossíveis. Ficaram para trás os que duvidaram da existência de petróleo no Brasil, os que duvidaram que pudéssemos retirar o petróleo da terra ou do fundo do mar com nossos próprios recursos e os que duvidaram que uma empresa estatal pudesse ser competitiva, lucrativa e respeitada mundialmente. E serão vencidos os que duvidarem da nossa capacidade de transformar o pré-sal em uma pista de vôo para um o futuro com mais prosperidade e menos desigualdades.</p>
<p>A divulgação das propostas do governo acontece nesta segunda-feira (31/8), em grande ato público que contará com a presença de congressistas, governadores, prefeitos, empresários, trabalhadores, intelectuais e artistas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Em seguida, a proposta será encaminhada ao Congresso Nacional para que as mudanças sejam debatidas e transformadas nas leis que vão demarcar um novo tempo de esperança e confiança no futuro.</p>
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		<title>Abraço Corporativo</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 18:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[trailer abraço corporativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigas e amigos, só digo uma coisa: assistam ao filme Abraço Corporativo. Assistam! Depois que estrear quero ouvir os comentários de todos. Vejam o trailer agora!

       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=393&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Amigas e amigos, só digo uma coisa: assistam ao filme <em>Abraço Corporativo</em>. Assistam! Depois que estrear quero ouvir os comentários de todos. Vejam o trailer agora!</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://amanditas.wordpress.com/2009/08/30/abraco-corporativo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/_qiT7WOrJGE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>Mulheres no poder</title>
		<link>http://amanditas.wordpress.com/2009/08/26/mulheres-no-poder/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 04:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[marcelo coelho]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[poder]]></category>
		<category><![CDATA[sexismo na política]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu me espantei com um artigo do Marcelo Coelho em que ele tece comentários sobre Lina e Dilma. É bom frisar que eu estou me referindo ao Marcelo, articulista da Folha, não o seu primo literário Paulo Coelho.
  
Vejam aqui e se espantem também: http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-18_13_34_03-10759959-0.
Fiquei chocada tanto pelo conteúdo, como pelo contraste. Afinal o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=389&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu me espantei com um artigo do Marcelo Coelho em que ele tece comentários sobre Lina e Dilma. É bom frisar que eu estou me referindo ao Marcelo, articulista da Folha, não o seu primo literário Paulo Coelho.</p>
<p> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Vejam aqui e se espantem também: <a href="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-18_13_34_03-10759959-0">http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-18_13_34_03-10759959-0</a>.</p>
<p>Fiquei chocada tanto pelo conteúdo, como pelo contraste. Afinal o Marcelo Coelho foi meu professor na Faculdade Cásper Líbero e, além disso, os artigos dele, em geral, são muito mais profundos do que esse <del datetime="2009-08-26T03:53:13+00:00">pedaço de merda</del> texto leviano que ele colocou no mundo.<br />
Ainda bem que ele logo se retratou, depois de receber inúmeras críticas:<a href="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-20_02_27_09-10759959-0">http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-20_02_27_09-10759959-0</a>. Tudo bem, foi uma resposta meio envergonhada, meia boca que só. Mas tudo bem, diante das circunstâncias, está tudo certo.</p>
<p>Afinal, o problema não extamente dele. É nosso, das mulheres. Precisamos nos manifestar com mais intensidade para que idéias sexistas não se propaguem por aí, impunemente. Acabo de descobrir um blog que trata de sexismo na política. Leiam: http://sexismonapolitica.wordpress.com</p>
<p>Aproveitem para ler um dos posts, que eu copio a seguir, na íntegra.</p>
<p>**<br />
<strong>Conversa de boteco não é jornalismo<br />
</strong><br />
Marcelo Coelho deu a largada. Jorge Pontual acaba de pegar o bastão. Quem será o próximo jornalista a fazer piadas de mau gosto com a aparência da (possível) candidata presidencial Dilma Roussef?</p>
<p>Não é este tipo de cobertura que nós queremos ver dos jornalistas brasileiros no ano que vem. Queremos que as candidatas mulheres (possivelmente, haverá três: além de Dilma, tudo indica que Marina Silva concorrerá pelo PV, ao qual acaba de se filiar; Heloísa Helena também pode tentar novamente pelo PSOL) sejam tratadas com a mesma seriedade reservada aos candidatos do sexo masculino — os quais não têm seu sex appeal mensurado tão frequente e escancaradamente.</p>
<p>Num país com participação tão baixa das mulheres na política (entre os motivos, está a equivocada idéia de que mulher “não serve” para isso), a cobertura jornalística enviesada tem a função de reforçar o preconceito. Se os jornalistas preferem fazer chacota da aparência física das candidatas a analisar sua plataforma política, é porque não levam as candidatas a sério. Pior: contribuem para que o leitor/eleitor também não as leve a sério.</p>
<p>Marcelo Coelho e Jorge Pontual não são exatamente símbolos de beleza masculina. Alguém aí receberia com entusiasmo um e-mail com fotos dos dois jornalistas nus? Mesmo assim, eles se acham em posição de julgar a aparência das candidatas e cobrar delas uma mudança nas roupas, no cabelo, na postura. Não fazem o mesmo com os candidatos homens (e um e-mail com fotos de José Serra nu, Jorge Pontual? Você abriria ou não abriria?). Tampouco têm de enfrentar o mesmo escrutínio. Não é preciso ser bonito e gracioso para ser político. Assim como não é preciso ser bonito e gracioso para ser jornalista. É tão difícil perceber que o mesmo deve valer para as mulheres?</p>
<p>Política não é concurso de beleza. Conversa de boteco não é jornalismo. A opinião de Jorge e Marcelo sobre o sex appeal das possíveis candidatas em nada interessa à cobertura das eleições. Se os dois transportam um assunto de tamanha irrelevância para o campo do jornalismo* é porque estão acostumados a viver numa sociedade machista, onde os homens são encorajados a expressar verbalmente o seu desejo sexual, onde e quando quiserem, mesmo que isto desrespeite a mulher analisada. Fazer uma avaliação pública e desrespeitosa do sex appeal de alguém é tratar esta pessoa como se fosse pedaço de carne primeiro, indivíduo depois.</p>
<p>Suponho que Marcelo e Jorge se achem muito diferentes do homem chucro que suga o ar e diz “essa eu chuparia todinha”, quando passa uma mulher na rua. Suponho que se achem muito diferentes dos humoristas do Pânico, que grudam adesivos de “vou” ou “não vou” nas mulheres na praia. Mas o que estão fazendo é basicamente a mesma coisa. E, bem, não sei quanto a vocês, mas o noticiário é o último lugar onde eu espero ver um “vou/ não vou”.</p>
<p>O leitor/eleitor brasileiro merece uma cobertura séria. Merece jornalistas que façam jornalismo e não conversa de boteco. Merece que tod@s @s candidat@s  sejam tratad@s igualmente. Cobremos deles exatamente o que merecemos, então.</p>
<p>* pode-se argumentar que Marcelo e Jorge fizeram suas declarações no blog e no Twitter, portanto elas não seriam jornalismo. Devemos frisar, no entanto, que os dois são reconhecidos por seu trabalho como jornalistas e é daí que vem a sua credibilidade. É daí que vem a necessidade de uma crítica. O blog do Marcelo Coelho é hospedado no portal da Folha de S.Paulo. O Twitter de Pontual também se pretende jornalístico, pelo menos na maior parte do tempo.</p>
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		<title>Cotas para negros: já mudou de opinião?</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 15:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desabafos]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem no início da discussão sobre as cotas para negross eu pensava que essa medida era paliativa para o grave problema do racismo, tão entranhado na nossa cultura. Mas esse posicionamento durou bem pouco. Lembro-me como se fosse hoje a conversa que tive com uma assistente social que trabalhava no Seppir naquela época; ela me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=387&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Bem no início da discussão sobre as cotas para negross eu pensava que essa medida era paliativa para o grave problema do racismo, tão entranhado na nossa cultura. Mas esse posicionamento durou bem pouco. Lembro-me como se fosse hoje a conversa que tive com uma assistente social que trabalhava no Seppir naquela época; ela me explicou, entre outras coisas, a força das cotas como medida afirmativa. A cota é necessária para reconhecer as diferenças, afirmar que existe racismo, e que sim, as cotas são necessárias até que alcancemos um mínimo de justiça social para um grupo que historicamente foi excluído de políticas públicas.</p>
<p>Mesmo convencida da necessidade das cotas, sempre tive dificuldade em defender essa política. Não que faltasse argumentos &#8211; é que existem argumentos bons para os dois lados. O que diferencia um ou outro posicionamento é uma dose de sensibilidade, de vivência, de olhar em volta. Creio.</p>
<p>Recentemente o amigo Luís Vieira me enviou um e-mail que fala dessa sensibilidade, dessa vivência. O artigo foi escrito por um juiz federal, mestre em Direito. Leiam a seguir.</p>
<p>************<br />
<strong>As cotas para negros: por que mudei de opinião.<br />
</strong><br />
<em>William Douglas, juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis.<br />
</em></p>
<p>Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que &#8220;antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia&#8221;. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.</p>
<p>Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo &#8211; com boas razões, eu creio &#8211; que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.</p>
<p>Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.</p>
<p>Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.</p>
<p>Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, &#8220;guru dos concursos&#8221; e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: &#8220;passar um dia na cadeia&#8221;. Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.</p>
<p>Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular &#8220;para negros&#8221;, aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.</p>
<p>Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de &#8220;chão de fábrica&#8221;, fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.</p>
<p>Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.</p>
<p>Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.</p>
<p>Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.</p>
<p>Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários &#8220;dias na cadeia&#8221;. Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.</p>
<p>Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia &#8220;na cadeia&#8221;. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.</p>
<p>Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa &#8220;passar um dia na cadeia&#8221; antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.</p>
<p>Ah, sim, &#8220;os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível&#8221;, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.</p>
<p>Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.</p>
<p>Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco &#8220;na cadeia&#8221;. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.<br />
Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano &#8220;na cadeia&#8221; com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.</p>
<p>E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.</p>
<p>Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, &#8220;O sol nascerá para todos. Todos dirão &#8211; nós &#8211; e não &#8211; eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.&#8221;</p>
<p>Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.</p>
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		<title>Sensacional!</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2009 02:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda</dc:creator>
				<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Rita Kehl]]></category>
		<category><![CDATA[MST]]></category>
		<category><![CDATA[Zero Hora]]></category>

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		<description><![CDATA[Bons artigos na imprensa tradicional são tão raros que quando a gente encontra um, tem mais é que reproduzir, e na íntegra. Essa entrevista com a Maria Rita Kehl está sensacional, imperdível! São idéias super progressistas, e me espanta que o artigo tenha sido publicado no Zero Hora&#8230; Quero me espantar mais vezes!
*****
O encontro de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amanditas.wordpress.com&blog=1125929&post=385&subd=amanditas&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Bons artigos na imprensa tradicional são tão raros que quando a gente encontra um, tem mais é que reproduzir, e na íntegra. Essa entrevista com a Maria Rita Kehl está sensacional, imperdível! São idéias super progressistas, e me espanta que o artigo tenha sido publicado no Zero Hora&#8230; Quero me espantar mais vezes!</p>
<p>*****<br />
<strong>O encontro de Maria Rita Kehl com o MST</strong><br />
por Patrícia Rocha,  no jornal  Zero Hora</p>
<p>Há três anos, um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) perguntou à psicanalista Maria Rita Kehl como a psicanálise poderia ajudar a militância. Não era a primeira vez que Maria Rita estava palestrando para uma turma de alunos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação e ensino idealizado pelo MST. Ela respondeu que a psicanálise não é uma prática militante, mas que muitos militantes precisariam fazer análise por razões particulares. E explicou:</p>
<p>– A neurose interfere na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância.</p>
<p>Ao contar o episódio, Maria Rita, nome de referência da psicanálise no Brasil, diz que eles entenderam imediatamente o que estava implícito naquelas palavras. E, na saída, dois administradores da escola perguntaram:</p>
<p>– Quando você pode começar?</p>
<p>Na semana seguinte, Maria Rita deu início à experiência que já dura três anos e meio.</p>
<p>Doutora em Psicanálise, a campineira Maria Rita trilhou uma trajetória singular. Cursou Psicologia na USP em tempos de ditadura, trabalhou sete anos como jornalista, fez mestrado sobre televisão, teve um filho quando morava em uma comunidade e só em 1981 começou a atuar como psicanalista – e logo mais poeta e ensaísta. Suas palestras e seus livros transitam por diferentes temas – TV, juvenilização, ressentimento, feminino, ética na psicanálise&#8230; – o lançamento mais recente, O Tempo e o Cão – Atualidade das Depressões, teve início a partir de um pequeno incidente a caminho da ENFF, quando, premida pelo tráfego na Via Dutra, Maria Rita viu um cão atravessar a pista mas não pôde evitar bater no animal (que sobreviveu) – travestido de metáfora, o episódio a fez refletir sobre a aceleração da vida e seus efeitos subjetivos.</p>
<p>Neste longo percurso, analisar integrantes do MST e transitar no seio do movimento surge como a oportunidade de descobrir um universo fundado no coletivo e, como ela conta na entrevista a seguir, um privilégio. </p>
<p>Zero Hora &#8212; Gostaria que a senhora contasse como se aproximou do MST e tornou-se psicanalista de membros do movimento, detalhando como esses atendimentos funcionam hoje. Quantos pacientes do MST tem no momento e com quem frequencia os atende? Com base na premissa de que o pagamento, por menor que seja, é importante como forma de registrar o investimento do paciente nas sessões de psicanálise, a senhora cobra a sessão, um preço simbólico que seja?</p>
<p>Maria Rita Khel &#8212; O MST tem uma escola nacional de formação de lideranças, a Escola Nacional Florestan Fernandes, a 60 km de SPaulo. Em 2005 e 2006 fui algumas vezes lá, dar aulas sobre temas de interesse deles em um curso sobre a compreensão da realidade brasileira organizado pelo professor Paulo Arantes. Nas duas vezes, alguns alunos mostraram curiosidade sobre a psicanálise. Da segunda vez, ao me perguntarem &#8220;como a psicanálise pode ajudar a militância?&#8221; eu respondi que a psicanálise não é uma prática militante, mas muitos militantes precisariam fazer análise por motivos particulares; expliquei tb que a neurose interfere sempre na relação dos sujeitos com o laço social, o que vale para a militância também. Eles me entenderam imediatamente. Quando saí da sala, dois administradores da escola me perguntaram: &#8220;quando você pode começar?&#8221; .</p>
<p>Na semana seguinte estava lá, não para fazer conferência mas para atender pacientes. Me arrumaram um dos quartos do alojamento e os pacientes começaram a chegar &#8211; alguns dos trabalhadores fixos da escola, outros de outros Estados, que estavam lá de passagem fazendo cursos. Desde aquela época, ou seja, há 3 anos e meio, vou quinzenalmente à ENFF e atendo quem estiver lá. Há pacientes fixos, outros que estão de passagem e vêm falar, duas ou três vezes, o que já é suficiente para acionar neles um início de intimidade com o inconsciente que eles aproveitam muito.</p>
<p>Não cobro nada pelas sessões feitas na Escola, mas se algum deles vem a SP, fazer uma sessão extra em meu consultório, cobro 15 reais. Até hoje isso não foi motivo para eles não se responsabilizarem pela análise. Eles sabem que meu trabalho lá não é por caridade nem por amor pessoal a cada um deles &#8211; é a &#8220;minha militância&#8221;. Este é o valor que eles me dão em troca do trabalho. Mas levam suas análises muito a sério, como aliás levam a sério quase todas as escolhas que fizeram.</p>
<p>Zero Hora &#8212; Para alguém que chega de fora e depara com o movimento em ação, nas atividades e eventos coletivos de que a senhora participou, e individualmente, nas pessoas que analisa, o que mais lhe chamou atenção neste universo? É possível comparar questões, dores e valores que predominam entre os pacientes de seu consultório particular, em São Paulo, e os pacientes que atende na Escola Florestan Fernandes?</p>
<p>Maria Rita Khel &#8212; As formações do inconsciente não variam muito; lá existem neuróticos como em toda parte. Recebi alguns alcoólatras também, pois este é um dos sintomas mais frequentes, sobretudo entre homens, na sociedade brasileira &#8211; e nas classes pobres, mais ainda. O que é muito diverso da minha clínica em SP são as histórias de vida, evidentemente. 100% dos analisandos do MST têm origem pobre, a maioria do meio rural; alguns, os mais jovens sobretudo, já vieram das periferias das cidades, onde além da pobreza conheceram muita violência. São histórias de vida que implicam em maior sofrimento real, mas os sintomas que se formam a partir da experiência traumática não variam muito. Trata-se, sempre, de tentar escutar as pistas que indiquem o que está recalcado e fazer com que a pessoa também se escute e questione o que diz, de modo a encontrar pistas que a orientem na via de seu desejo.</p>
<p>O que mais diverge da minha experiência com a clínica em São Paulo é que no MST não percebo, entre as queixas e indagações dos sujeitos, a prevalência do imaginário romântico-sentimental (inclusive no que diz respeito à demanda de amor, na transferência). Não é no amor que eles buscam indicadores de seu valor para o Outro &#8211; é na &#8220;luta&#8221;. As histórias de sofrimento familiar, ou conjugal, raramente se centram nas demandas de amor não correspondidas, endereçadas ao pai, mãe, esposa/esposo. Não escuto essa queixa de que o pai, ou a mãe, gostava mais do irmão/da irmã/ se me ama/ se não me ama, etc. Não que a questão do valor do sujeito para o Outro não exista, mas curiosamente, ela não passa tanto pelas relações amorosas e familiares, nem pela demanda de amor ao analista.</p>
<p>Zero Hora &#8212; Os movimentos sociais se fundam na noção do coletivo. Esta questão transparece de alguma forma quando um membro do MST está no divã?</p>
<p>Maria Rita Khel &#8212; Aparece sim, nas queixas frequentes de que o trabalho grupal, muito exigente, deixa pouca margem para os chamados &#8220;cuidados de si&#8221; &#8211; lazer, namoro, leituras, passeios, descanso. Mas não é difícil fazer com que eles percebam que o excesso de dedicação à &#8220;causa&#8221; coletiva pode ser um meio de escapar das questões singulares de cada um. Claro que estou generalizando, alguns permanecem muito mais aferrados a cumprir &#8220;o que o Outro quer de mim&#8221; do que outros, etc. Ao longo de algumas análises, emergem muitos conflitos com as normas coletivas da Escola &#8211; o sujeito, ao entrar em sintonia com o desejo, torna-se rebelde. Mas essa rebeldia raramente é da ordem do individualismo, mais frequente nas classes média e alta urbanas. Eles se rebelam contra a rigidez das normas coletivas, mas não perdem de vista o fato de que estão no movimento por escolha política e têm uma responsabilidade para com ele.</p>
<p>Zero Hora &#8212; A senhora sempre demonstrou uma posição de esquerda, uma postura crítica acerca da sociedade de consumo e seus valores. Como isso se reflete na realização deste projeto junto ao MST e até mesmo em sua atividade como psicanalista?</p>
<p>Maria Rita Kehl &#8212; Posso te dizer que sempre que saio de lá, penso que sou uma privilegiada por ter encontrado o MST e ter sido acolhida por eles como pessoa de confiança. Também me acho uma pessoa de sorte por ter sido convidada a exercer a psicanálise, sem nenhuma concessão, em meio a este que é hoje o maior movimento social do mundo, com 600 mil militantes e 2 milhões de pessoas afiliadas a ele (incluindo famílias já assentadas, que às vezes não militam mais, mas reconhecem sua filiação ao MST). Não é preciso fazer concessões para exercer a psicanálise entre eles porque, apesar da origem católica e rural, o movimento é legitimamente progressista &#8211; assim como a psicanálise, aliás.</p>
<p>Zero Hora &#8212; Ao passar a frequentar um universo diferente do seu, marcado por bandeiras de luta e o sentido coletivo, em algum momento a senhora temeu a possibilidade de idealizar o movimento ou seus membros? Ou já se sentiu cobrada por membros do MST a agir de forma militante?</p>
<p>Nunca fui cobrada a agir como eles, seja isso o que for; mesmo porque, entre eles as diferenças de modos de agir também são muito grandes. Sinto-me respeitada, inclusive em meu estilo mais aburguesado de ser: vou de carro, volto para SP depois dos atendimentos porque quero aproveitar o sábado, raramente fico lá para dormir, etc. Agora, não há dúvidas de que, para mim, é fácil idealizar o movimento. Não tanto pelo modo como eles conduzem suas lutas &#8211; tenho sérias divergências sobre algumas estratégias e falo sobre elas com pessoas que não são meus pacientes, quando os encontro no almoço, ou nos debates de que ainda participo. O que eu sinto que idealizo, no MST, é a formação humana que eles conseguem obter. ]</p>
<p>A maior parte dos militantes veio de meios sociais violentos, com pouca escolarização, pouca noção de dignidade e respeito, tanto do sujeito quantona relação com o outro. No movimento, o valor da leitura, do conhecimento, da lealdade e da solidariedade, são imensos. Mesmo na clínica, onde os problemas mais profundos vêm à tona, não deixo de sentir admiração pela maioria de meus pacientes da ENFF. Para você ter uma idéia, sabe qual é a maior demanda de &#8220;ascensão social&#8221; entre eles? Não é ganhar mais ou subir para uma posição de poder: é ser incluído entre os que podem estudar mais, entre os que têm direito a frequentar os cursos, etc. Eles são seríssimos quanto a este aspecto; e quanto à solidariedade também, apesar de todos os defeitos humanos, que são os mesmos que os de todos nós.</p>
<p>Mas isto não significa que eu não tenha admiração pelas pessoas que atendo em minha clínica particular, em São Paulo Tenho sim, por quase todos eles, pela coragem em enfrentar seus fantasmas, em buscar sua via. Talvez a diferença não se coloque em relação ao valor de cada sujeito, um por um, mas em relação ao &#8220;caldo de cultura&#8221; em que se vive, lá e cá.</p>
<p>Zero Hora &#8212; Houve um momento de maior condescendência &#8212; mesmo idealização &#8212; dos movimentos sociais no Brasil. Na sua opinião, que imagem esses movimentos têm hoje no país?</p>
<p>Maria Rita Kehl &#8212; Não sei responder.</p>
<p>Zero Hora &#8212; E como a psicanálise compreende os movimentos sociais?</p>
<p>Não sei grande coisa as respeito. Só aponto que existe, entre alguns psicanalistas, um preconceito de que a participação num movimento social seria uma forma de alienação. Como se a adesão quase religiosa à psicanálise e às instituições psicanalíticas não fosse!</p>
<p>Zero Hora &#8212; As questões do feminino e do feminismo figuram entre os temas sobre os quais a senhora já escreveu. Como avalia a posição das mulheres e as relações entre os sexos dentro do MST?</p>
<p>Maria Rita Khel &#8212; É uma posição muito interessante, a das mulheres. Até agora não encontrei, entre as mulheres que atendo no MST, nenhuma que não seja autenticamente feminista, no sentido mais profundo do termo. Ou seja: são mulheres bastante livres em suas escolhas sexuais e amorosas &#8211; até mesmo as que vieram de movimentos da Igreja, mas que na análise, lutam para superar os entraves da moral católica. Ao mesmo tempo, são tão decididas e dedicadas quanto os homens.</p>
<p>É interessante a posição das mulheres no movimento: muitas delas, por exemplo, têm cargos mais altos do que seus maridos. Provavelmente, nos acampamentos, entre pessoas que vieram de outros lugares e acabam de ingressar no MST, deve haver muito machismo; este é o perfil da sociedade brasileira. Mas não o encontrei entre os &#8220;compas&#8221;, como eles se chamam, que transitam no nível da ENFF. O outro detalhe interessante é que as mulheres que atendo lá, nunca submeteram a vida da militância às conveniências do casamento. Viajam prá lá e prá cá, estudam nos cursos em módulos que o MST oferece em convênios com universidades &#8211; 3 meses na faculdade, 3 meses no movimento, durante toda a duração do curso &#8211; e os maridos seguram a onda, cuidam das crianças quando elas estão fora, etc. O amor não é o centro da vida delas, o que é muito difícil de encontrar. E também não medem seu valor pelo olhar de um homem; nunca ouvi uma moça que não namora dizer que se sente inferior às outras por isso.</p>
<p>Zero Hora &#8212; A senhora conta em &#8220;O tempo e o cão: a atualidade das depressõe&#8221;, como um incidente a caminho da Escola Florestan Fernandes alavancou reflexões que culminaram neste livro que traz a depressão como sintoma social. Esse seu trânsito dentro de um movimento social e suas questões contribuiu de alguma forma para essa análise?</p>
<p>Maria Rita Kehl &#8212; Talvez sim, no que diz respeito ao modo de viver o tempo. Por mais tarefas que eles tenham lá, a relação com o tempo numa perspectiva não capitalista é diferente da velocidade maluca que rege a vida de quase todos nós. A relação que faço entre aceleração da vivência temporal e depressão, certamente tem um pouco a ver com minha experiência no MST.</p>
<p>Zero Hora &#8212; A escolha de objetos e temas de trabalho sempre revelam algo do pesquisador em questão, pelo menos uma afinidade. Na sua trajetória acadêmica e profissional, a senhora já passou pela televisão, as questões do feminino, a ditadura do corpo e a juvenilização da cultura ocidental, ética, política, depressão &#8212; além deste projeto no MST. O que este percurso revela a seu respeito?</p>
<p>Maria Rita Kehl &#8212; Se eu soubesse, não continuaria buscando. Deixo essa resposta prá depois da minha morte.  </p>
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