Produtos orgânicos terão selo federal

Novembro 11, 2009

Já estava demorando: a partir de 2010 os produtos orgânicos terão um selo do governo federal, o que vai facilitar a identificação desses produtos no mercado. Os produtos serão certificados pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SISOrg).

A notícia é muito boa, ajuda a dar mais credibilidade aos produtores orgânicos e dá mais segurança pra quem está pagando caro por essa saudável opção! Resta saber se um dia teremos enfim produtos orgânicos com valores mais competitivos. Atualmente, pra levar uma fruta orgânica pra casa gasta-se duas ou três vezes mais o preço de uma produzida nos moldes convencionais. Essa pesquisa não é nada científica, eu to chutando uma média com base nos preços do supermercado Pão de Açúcar perto de casa, aqui em Brasília, não sei como é em outros estados.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República informa que os requisitos para a utilização do selo foram publicados no Diário Oficial da União, em portaria desta sexta-feira (6). O uso do selo está sujeito à verificação com as normas regulamentadas pelo Organismo de Avaliação da Conformidade (OAC), credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O governo também teve a feliz iniciativa de lançar um site sobre orgânicos, no endereço www.prefiraorganicos.com.br. Lançado no último dia 28 de outubro, o endereço eletrônico registrou mais de dois mil acessos em 10 dias. Os internautas brasileiros representaram 80% das entradas, com 1.675 visitas, principalmente de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O site também despertou interesse de franceses, americanos, portugueses, alemães e italianos.

É minha gente! Agora só falta o governo inventar um selo pra identificar os produtos que têm origem ou compostos de organismos geneticamente modificados (também conhecidos como “trangênicos”). Vamos torcer!

Esse artigo bem que merece ser replicado no Ecoblogs, não?! Será que alguém já divulgou essa excelente iniciativa por lá? Bora pessoal, bora divulgar que notícia boa é pra circular.


Nós realmente nos importamos

Junho 27, 2009

“Muitos daqueles que, a princípio, te pareciam parceiros,
vão ficar furiosos quando mostrares que a conveniência, em alguns casos,
é sinônimo de proteção individual e dano coletivo.”
Sonia Hess

Quero compartilhar aqui uma carta que li por acaso, na lista de discussão do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas. Eu me identifiquei com o tom político da mensagem, que fala do quanto vale a pena se importar, se arriscar por uma causa, lutar, receber apelidos, sofrer. Vale a pena, ainda que os desafios do mundo pareçam problemas impossíveis de serem solucionados.

A autora da carta é Sonia Hess, engenheira química, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e atualmente está em Florianopolis (SC), onde realiza seu terceiro pós-doutoramento em química, na UFSC. Sonia escreveu a carta para uma amiga que estava desanimada.

Leiam e me digam vocês, se já passaram por algo parecido com o que a cientista relata. A carta está na íntegra, maiúsculas da própria autora. Considerem licença poética a falta de acentos e cuidados gramaticais, pois tudo isso faz parte da emoção.

Sonia, se você passar por aqui saiba que já somos duas. Nós nos importamos!

***

Querida,

como estou sem carro, tenho tido a otima oportunidade de pensar
enquanto caminho 1 km ate o trabalho (o que, em Floripa, consiste em
um grande prazer, na verdade).
Por coincidencia (que nao ha, como ja deves saber), agora pela manha
vim pensando em uma frase super-importante para todos nos, neste
momento: TEMOS QUE TENTAR!!!
Isto ficou martelando na minha cabeca, e agora abro este teu email, o
primeiro que leio hoje.
Entao, vou te contar uma historinha:

– na semana passada, uma jornalista de uma revista de circulacao
nacional me telefonou, pedindo-me para falar sobre os riscos
associados ao uso das mamadeiras plasticas disponiveis no mercado,
atualmente. Eu falei, depois mandei a ela, por email, todas as
informacoes que podia. Ela contou que, antes de me ligar, telefonou
para as grandes universidades e institutos de pesquisa do pais, para
tentar entrevistar algum pesquisador. Ninguem quis falar, sendo que
uns alegaram que nao sabiam o suficiente sobre o assunto e, outros,
que nao gostariam de falar sobre este polemico tema. Ela so conseguiu
a entrevista porque uma pessoa do INCA falou de mim, para ela.
Agora eu te pergunto: quem sou eu? Uma professora com um curriculo bem
mediano e que atua em uma universidade pouco prestigiada. Entao, por que e
que, em todo esta comunidade cientifica brasileira, que tem tantos
bolsistas do CNPq, muito mais capacitados do que eu, sobrei so eu para
falar sobre um assunto fundamental para a saude das criancas? Pois vou te
responder: e porque EU REALMENTE ME IMPORTO COM ISTO!!!

Desde 2002, depois que assisti o filme O FUTURO ROUBADO pela primeira
vez, nao parei mais de estudar sobre os desreguladores endocrinos, e
de dar palestras e entrevistas sobre isto. Se olhares no meu curriculo
Lattes, veras o quanto que falei e escrevi sobre este tema. De que
adiantou tanto esforco? Nao sei, porque nao tenho como conhecer as
mudancas que ocorreram na rotina e no padrao de consumo de cada um que
ouviu o que falei e mostrei. Mas, pelo menos, EU SEI QUE TENTEI e
continuo tentando, com todas as minhas forcas, com toda a minha
capacidade, defender meus semelhantes diante dos riscos presentes no
ambiente;

– la no MS, em 2001, fui chamada para uma reuniao no MPE, para tratar
dos riscos associados a uma usina termeletrica que estava funcionando
com gas natural boliviano. A tal churrasqueira de gas tinha vindo de
El Salvador, onde funcionou por 17 anos. Foi comprada por uma
multinacional e instalada em Campo Grande a preco de ouro. Ate hoje, a
tarifa de energia do MS e uma das mais altas do pais, porque os
consumidores pagam, sem saberem, para aquele trambolhao ficar parado,
esperando para ser ligado quando a falta de chuva diminui a producao de energia nas
hidreletricas. EU TAMBEM ACHO BOM PAGAR PARA ELA FICAR PARADA
PORQUE, QUANDO FUNCIONA, JOGA NO AR 4T/DIA DE VENENOSOS NOx, EM CADA
TURBINA FUNCIONANDO COM GN!!! Pois bem, naquela fatidica reuniao de
2001, o tecnico da empresa comecou a falar que eles monitoravam as
emissoes gasosas da UTE uma vez por ano, e que era suficiente. EU NAO
SEI DE QUE COR EU FIQUEI MAS, COMO ERA A UNICA PESSOA PRESENTE NA
REUNIAO, QUE SABIA O MINIMO DE ESTATISTICA E DE QUIMICA, COMECEI A
CONTESTA-LO, PERGUNTANDO ONDE ELE TINHA APRENDIDO QUE 1 MEDIDA TINHA
ALGUMA SIGNIFICANCIA. Fiquei tao brava com o despeito dele, que sai
bufando da reuniao. A Promotora viu que eu sabia do que estava
falando, e veio correndo atras de mim, dizendo que ia entrar com uma
acao contra a empresa. Bom, foi ai que comecei a minha carreira de
consultora voluntaria do MPE, depois MPF e MPT. Tive que ler muito,
estudar um monte, mas coloquei tudo o que aprendi escancaradamente, em
jornais e pareceres tecnicos (foram 81 artigos publicados em jornais,
ate agora).

Naquela epoca, ainda nao havia legislacao no Brasil para limitar a
emissao de mercurio ou oxidos de nitrogenio em UTEs ou outros
dispositivos de geracao de energia a partir da queima do GN. Por isso,
o processo do MPE contra aquela UTE nao deu em nada. Eles, sequer,
cumpriram com as clausulas do TAC que assinaram, e ninguem cobrou,
porque a pressao politica foi enorme. Em compensacao, acionamos ate a
OAB-MS, que levou o caso a OAB nacional. Ainda guardo a nota que eles
divulgaram em jornais, exigindo que o Ministerio do Meio Ambiente
instituisse legislacao para disciplinar a emissao de poluentes
atmosfericos em UTEs e outros dispositivos, o que so aconteceu em
dez/2006 (CONAMA) e, ainda por cima, com os padroes europeus dos anos
80!!!

DE QUALQUER FORMA, DEPOIS DISTO TUDO, VIREI REFERENCIA PARA OS
PROCURADORES DO MS, que passaram a pedir o meu apoio em todas as acoes
envolvendo UTEs e outros grandes empreendimentos. COMO PARTE DESTA
ARDUA TAREFA, FUI HUMILHADA PUBLICAMENTE EM TRES LAGOAS-MS, ONDE
CONSTRUIRAM UMA UTE em uma area totalmente inadequada; em Corumba-MS,
lutamos juntos (UFMS, EMBRAPA, MPF, ECOA, Ministerio da Saude) e conseguimos
barrar a UTE que queriam construir no centro da cidade; por causa
deste episodio, algum tempo depois, quando tentamos barrar a
siderurgica que o mesmo empresario planejava construir em Corumba, no
dia da audiencia publica, 2 caminhoes de som circularam pela cidade anunciando
que, se os ambientalistas aparecessem naquela audiencia, seriam
recebidos a bala. OBVIAMENTE, FOMOS DERROTADOS. Apesar do MPF ter
conseguido barrar a obra, uma corregedora de SP, magicamente, derrubou
a liminar concedida pelo juiz federal de Corumba. A siderurgica foi
inaugurada no dia da arvore, em 21/09/07 (quase enlouqueci por causa
desta ironia).

Depois disso, aquela empresa levou multas do IBAMA que somaram R$ 29
milhoes, por causa do consumo de carvao de matas nativas do pantanal
(como haviamos previsto no parecer tecnico). No final do ano passado
parou de funcionar, por causa da crise economica mundial;

– tudo o que eu pensava que podia fazer, eu fazia, enquanto morei no
MS. Agora, que sai de la, tenho lido nos jornais locais, diversas
autoridades anunciando a implementacao de medidas que eu,
insistentemente pedi a eles, sem que me dessem qualquer importancia.

Parece que e preciso que muitos fatos negativos se repitam, para que
as pessoas percebam que e necessario mudar!!!

NAO SEI SE NOS ENCONTRAREMOS EM BREVE, MAS TE ESCREVO COM TODA A CERTEZA:
FACA, FACA TUDO MESMO O QUE PUDERES E, ATE MESMO, O QUE TE PARECER
INCONVENIENTE. Nao importa se vai dar resultado, ou nao, ou se vais percebe-los. O
que importa, mesmo, e fazeres, insistentemente, tudo o que podes!!!

VAIS PARECER LOUCA, CHATA, INCONVENIENTE. VAO TE CHAMAR DE XIITA,
ANTIPATICA, CONTRA O PROGRESSO, E MUITOS OUTROS PREDICADOS.

MUITOS DAQUELES QUE, A PRINCIPIO, TE PARECIAM PARCEIROS, VAO FICAR
FURIOSOS QUANDO MOSTRARES QUE A CONVENIENCIA, EM ALGUNS CASOS, E
SINONIMO DE PROTECAO INDIVIDUAL E DANO COLETIVO.

PARA MIM, NADA, NADA MAIS DISTO IMPORTA.
TODOS OS DIAS, ACORDO E VOU DORMIR BUSCANDO UMA UNICA RESPOSTA: O QUE
E QUE EU AINDA NAO FIZ, E O QUE DEVERIA FAZER, PARA AJUDAR MEUS
SEMELHANTES, DIANTE DO ENVENENAMENTO A QUE ESTAO SENDO SUBMETIDOS, SEM
QUE PERCEBAM.

SE ISTO NAO CONDIZ COM A POSTURA DOS HUMANOS DO MEU TEMPO, NAO TEM PROBLEMA.
AFINAL, SEI QUE O NOSSO TEMPO NAO TEM MAIS TEMPO, MESMO!!!


O desmonte da política ambiental

Junho 5, 2009

Apóio integralmente a nota “Nota pública contra o desmonte da política ambiental brasileira” publicada no www.viomundo.com.br pois é disso que nossos políticos bem intencionados precisam, de apoio. Está aí o importante papel dos blogueiros, apoiar a corrente de idéias que não sofrem a pressão de ter que agradar governo ou oposição.

Sem esse apoio de blogueiros e de cidadãos que manifestem pensamento crítico não adianta a gente ter uma Marina Silva ou qualquer outra figura de credibilidade lá no poder porque a barra lá é pesada, e as decisões que deveriam ser julgados pelo mérito acabam sendo julgadas por acomodações partidárias, troca de favores, enfim, tudo isso que já se sabe.

Daí a importância da sociedade civil que precisa estar sempre vigilante e unida, pra balançar essa “acomodação” de poderes entre governo e oposição sempre que o interesse público estiver ameaçãda. É preciso fazer com que a a proteção ao meio ambiente esteja acima dos interesses comerciais ou partidários. Divulguem o manifesto no twitter, no orkut ou mesmo na sua empresa.

O desmonte da política ambiental brasileira

Nota pública contra o desmonte da política ambiental brasileira

As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar. É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas. Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida – e piorada – na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar. Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal. Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 04 de junho de 2009.

Assinam:

Amigos da Terra / Amazônia Brasileira

Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA

Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI

Conservação Internacional Brasil

Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE

Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – FBOMS

Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno

Greenpeace

Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA

Grupo Pau Campeche

Grupo de Trabalho Amazônico – GTA

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON

Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM

Instituto Socioambiental – ISA

Instituto Terra Azul

Mater Natura

Movimento de Olho na Justiça – MOJUS

Rede de ONGs da Mata Atlântica

Sociedade Brasileira de Espeleologia

Via Campesina Brasil

WWF Brasil


E a transposição do São Francisco?

Maio 27, 2009

Depois do alarido da imprensa sobre a polêmica obra de “transposição” (ou integração das bacias, como preferem os mais simpáticos à causa) do Rio São Francisco, nunca mais se ouviu falar no assunto. Alguém sabe em que pé estão as obras?! Recentemente o ex-presidente do Ibama foi chamado pra responder à Justiça por autorizar a transposição. E nenhuma nota foi publicada nos jornais de grande circulação…

Ainda bem que temos a imprensa alternativa e os blogs especializados, vejam aqui um artigo interessante no site do observatório da imprensa. E vejam a seguir a nota que saiu no site “Última Instância”. Quem souber mais detalhes de como anda a tal “transposição”, deixe recado aí nos comentários…

***
Ex-presidente do Ibama responderá à Justiça por autorizar transposição
Última instância – 26/05/2009 – 20h30

A Justiça Federal recebeu nesta segunda-feira (25/5) uma ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente do Ibama, Marcus Barros. Ele será processado por ter autorizado a emissão da licença de instalação das obras de transposição do rio São Francisco sem a análise dos projetos executivos e a realização de novas audiências públicas, em março de 2007.

A ação foi proposta pelo MPF-DF (Ministério Público Federal no Distrito Federal) em julho do ano passado. O procurador da República Francisco Guilherme Bastos alegou que o ex-presidente do Ibama contrariou o Decreto Presidencial 99.274/1990 e uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) ao emitir a licença precipitadamente. Barros tinha consciência da ilegalidade, pois foi alertado pelo MPF antes da emissão da licença. Na época, garantiu que os projetos executivos já tinham sido analisados, fato desmentido posteriormente.

Ao receber a ação, o juiz federal Alexandre Vidigal afirmou que a divergência nas informações prestadas e a insuficiência dos documentos apresentados pelo ex-presidente do Ibama durante a defesa prévia são elementos suficientes para dar prosseguimento à ação judicial, que entra agora na fase de instrução processual. A decisão foi comemorada pelo procurador da República Francisco Guilherme, autor da ação. “O recebimento da inicial demonstra a consistência dos elementos apresentados pelo MPF”, afirmou.
Na ação, o Ministério Público pede a condenação de Marcus Barros ao pagamento de multa, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou creditícios por cinco anos.


Você trocaria o seu absorvente descartável por um ecológico?

Abril 14, 2009

Atenção mulher! A princípio, a idéia parece antiquada: trocar os práticos absorventes descartáveis de menstruação pelos trabalhosos paninhos do tempo da vovó, que precisam ser lavados a cada uso. Mas basta refletir sobre os aspectos ecológicos, econômicos e de saúde envolvidos nessa mudança de atitude para se concluir que é a idéia, na verdade, é um grande avanço!

Americanos e europeus já entraram nessa onda ecológica. Aqui no Brasil a idéia ainda está engatinhando mas tem tudo para crescer. Confiram três bons motivos para você experimentar e adotar os paninhos de algodão.

Motivo 1 – Saúde
Estudos apontam que os absorventes descartáveis contém substâncias químicas nocivas a saúde da mulher. A Síndrome do Choque Tóxico vem sendo associada a produtos absorventes industriais. Há casos de mulheres que alegam infecções nas paredes da vagina devido ao uso de tampões. A ginecologista Renata Carlos Ferreira, apóia o uso de absorventes feitos de algodão. “Acho que é uma excelente opção. Chegam muitas pacientes no pronto socorro com alergia ou irritação devido ao uso do absorvente descartável”, lembra. O ginecologista Antônio Carlos da Cunha, professor do departamento de medicina da UnB, afirma que os absorventes totalmente feitos de algodão são ideais para preservar a saúde da vagina. “Para manter a acidez da vagina é preciso cuidar do equilíbrio da flora bacteriana. Os absorventes convencionais têm muitos produtos químicos, como perfumes e cola, que prejudicam as bactérias que mantêm a boa saúde do órgão e alteram a acidez da mucosa interna”.**

Motivo 2 – Economia
Para comprar os 190 absorventes convencionais por ano, cada mulher gasta uma média de R$ 100. Se comprasse sete unidades dos absorventes ecológicos disponíveis no mercado, investiria em média R$ 90 para ter o produto que dura aproximadamente cinco anos, valor cinco vezes menor.

Motivo 3 – Ecologia
Durante o ciclo reprodutivo da mulher são utilizados em média de 10 a 15 mil absorventes descartáveis que levam cerca de 100 anos para se decomporem na natureza. Já imaginou quantas mulheres existem no mundo? E se todas resolvessem usar absorventes descartáveis? Um uso sustentável de recursos significa reduzir a porção de cada recurso que nós usamos, reutilizar o que pudermos e reciclar como última alternativa. Um produto para menstruação que pode ser reutilizado por 4 a 8 anos significa milhares de produtos descartáveis a menos nas lixeiras, campos e mares, menos químicas nas águas e no solo, e custos reduzidos – direta e indiretamente – ao consumidor.

Onde encontrar?
Felizmente já existem alguns fornecedores de absorventes ecológicos no Brasil. Veja a seguir três opções e escolha a que for mais prática pra você.

Ipema Brasil
http://www.ipemabrasil.org.br/absorventes.htm

Abiosorvente
http://www.coisasdemulher.com.br/
Encomendas pelo e-mail: abio@coisasdemulher.com.br

Em Brasília:
Encomendas podem ser feitas pelo telefone (61) 9975-0658 (Mônica) ou 9944-1061 (Nara).

**Declarações médicas copiadas das matérias do jornal Correio Braziliense (29/03/2009) e do site do Iesb: http://www.iesb.br


O cerco aos transgênicos

Abril 7, 2009

É o Ministério Público Federal, é a audiência pública, é a empresa sendo obrigada a publicar informação no rótulo… É um bando de gente discutindo transgênico no Brasil! Que beleza!

- A audiência pública encarregada de decidir a liberação do cultivo de arroz transgênico no Brasil votou a favor da população, da saúde e do meio ambiente. Vejam a matéria que saiu no dia 2 de abril no site Envolverde.

- No site Vi o Mundo há uma entrevista que revela alguns interesses que estão em jogo nessa discussão: Bayer quer vender agrotóxico.

- Sentença judicial obriga a Bunge a identificar nos rótulos os produtos feitos a partir de soja transgênica.