Atualizado no dia 26 de abril com a inserção do vídeo acima, que complementa o post.
O projeto “Eu sou gay” tem um objetivo claro: combater a homofobia. A campanha prega a solidariedade em resposta à violência que fere e mata pessoas que pertencem às minorias de forma geral, e em especial os gays. Esse trecho resume bem o espírito do projeto:
“Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva. Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim? Quero então compartilhar essa ideia com todos. Sejamos gays.”
Mas colocar um valor como a solidariedade para se pavimentar o caminho contra a homofobia não é garantia de sucesso absoluto. O projeto gerou muita controvérsia! Vou listar algumas das repercussões que achei interessantes.
1. Um internauta que se dizia gay criticou a falta de foco da campanha pelo fato de ela abarcar outras minorias. Será mesmo? Eu acho é que as outras minorias é que perderam a visibilidade, o lado gay da campanha foi o que mais repercutiu.
2. Algumas pessoas heterossexuais relataram o medo de se expor numa foto com a frase “Eu Sou Gay”, alegando que poderiam sofrer alguma violência pelo fato de ostentar a frase para uma campanha dessa natureza. Isso só atesta a necessidade da campanha, né? Se sair numa foto com a frase é considerado um perigo, imagina ser assim todos os dias da vida?!
3. Um número expressivo de pessoas (heterossexuais e gays assumidos) se sentiram desconfortáveis com a frase “Eu Sou Gay” pelo fato de ela reduzir a questão, quando o ideal seria que a campanha defendesse o respeito à diversidade. O argumento foi brilhantemente exposto pelo @prenass – lei aqui o post Eu não sou gay – eu respeito a diferença. Concordo em partes com o @prenass. Mas creio que esse foi um risco assumido pelos idealizadores da campanha: reduzir para poder ganhar em impacto. Se o mote fosse só o respeito à diversidade, sem envolver diretamente a participação do internauta, o projeto certamente perderia em impacto. O que, é bom registrar, não invalida essa crítica levantada pelo @prenass! Acho que esse mote da diversidade pode ser um desdobramento dessa campanha, por que não?
4. Li poucas reações homofóbicas em geral (mensagens de ódio), uma ou outra mensagem advertindo que o projeto poderia funcionar como uma apologia ao comportamento gay e opiniões dessa linha. Acredito que reações desse tipo são até esperadas, diante de um tema tão tabu como esse.
Sim, o projeto tem um milhão de controvérsias, mas conseguiu pautar a mídia e se espalhar pelo twitter. Além desse mérito, que não é pequeno tendo em vista esse tema ainda espinhoso pra nossa sociedade, o projeto segue fazendo algumas pessoas saírem das suas zonas de conforto, seja para criticar a campanha, seja para aderir, fazer foto, colocar a cara a tapa, conversar com amigos e familiares sobre o assunto.
Balanço
Ao contrário de outras campanhas em favor da diversidade que tenho visto por aí, essa campanha convida as pessoas a exercitarem a empatia, ou seja, a trazer para o lado pessoal e afetivo essa experiência de ser gay em sociedade. O que é bem diferente de obrigar alguém a ser gay, ressalte-se. E na minha opinião essa “pegada” contribui muito para o movimento LGBT! Não dá pra querer que de uma hora pra outra as pessoas passem a respeitar os gays, “automagicamente”, “racionalmente” se elas passaram a vida toda sendo ensinadas emocionalmente, afetivamente e racionalmente que a homossexualidade é um comportamento reprovável, indigno, intolerável. Toda tentativa de trazer o tema para a esfera pessoal e afetiva é saudável. Enquanto a diversidade for tratada como um problema só do “outro”, pouca gente vai realmente se mobilizar. O respeito à diversidade é uma tarefa de todos, independentemente da orientação sexual.