Pessoal! A Conferência Nacional de Comunicação está saindo do papel! Parece que finalmente vai acontecer e vai ser em dezembro deste ano, leiam: http://www.proconferencia.com.br/index.cfm
Confesso que sinto muita dificuldade em manter um diálogo sobre o direito à comunicação com pessoas leigas no assunto. O problema não é o desconhecimento puro e simples: é a pessoa achar que entende do tema, naquela lógica: se eu sei o que é direito e posso me comunicar, então eu entendo de direito à comunicação.
Acho que deveria ter uma disciplina na faculdade de jornalismo chamada: “Paciência para explicar aos leigos o conceito (ou os conceitos) de direito à comunicação”.
Vejam a dificuldade: a cada frase que defendo em relação ao direito à comunicação, sou obrigada a explicar ao leigo o conceito de cada palavra. Geralmente a pessoa acha a explanação toda muito enfadonha (porque vai contra aquilo que ela acha que sabe) e a pessoa desiste de prestar atenção ao que você está dizendo.
Dos leigos já ouvi de tudo: que rádio comunitária derruba avião, que a tendência do mundo é a concentração de empresas mesmo – e afinal por que você não vai trabalhar na Globo (!) – que a polícia tem mais é que fechar mesmo “essas rádios que estão contra as leis” (!), que as rádios comunitárias tocam funk e merecem ser fechadas, e por aí vai a discussão, ladeira abaixo, eu falando grego, e a pessoa ouvindo tango.
Enfim. Para a maioria dos leigos, direito à comunicação é qualquer coisa parecida com o que já existe hoje: ter uma imprensa “livre”, ter a possibilidade publicar uma opinião na seção de cartas de um jornal de grande circulação, e já está bom demais.
Poucos leigos ousam questionar as concessões de Rádio e TV no país, a falta de transparência e de critérios nos processos de outorgas e as diversas ilegalidades e irregularidades que ocorrem por aí sem que nenhuma autoridade tome providência.
Daí eu pergunto a vocês, dois ou três leitores assíduos dessa bodega: como explicar direito à comunicação para os leigos, em poucas palavras, e sem perder a paciência? Acho que é importante fazer um esforço de esclarecer os leigos até para que eles tomem parte desse processo de construção de novas diretrizes para as políticas de comunicação no país. Que vocês acham?