Ela esteve no protesto pela saída do Arruda

dezembro 10, 2009

Recebi um e-mail de Jaciane Milanezi, que esteve no protesto contra a corrupção aqui no governo do Distrito Federal, pela saída do Arruda do poder. Fiquei especialmente sensibilizada com o relato, sobretudo pela coragem e determinação que os participantes demonstraram em manter o ato político, apesar do cerco da polícia. Leiam, vale a pena.

“Olá a todos!

Alguns me conhecem pessoalmente, outros apenas por trocas de e-mails. Independentemente, conhecem o suficiente para saberem das minhas atitudes diárias em prol da democracia no país. Saberão, então, que o relato que farei agora é para comprovar que não eram baderneiros que estavam na manifestação, como tristemente, vejo a mídia relatar. Amigos jornalistas: peçam a seus colegas de profissão para narrarem os fatos de forma certa!

Eu e uma colega da UNB seguimos às 10h para a manifestão contra a corrupção em frente ao Buriti. Vale sublinhar que foi uma manifestação organizada por todos e para todos: partidos, sindicatos, estudantes e cidadãos. Para todos que não toleram corrupção, que não toleram “quem rouba, mas faz”, quem sabe que política é a discussão e a ação ao que é relacionado à sociedade e não ao interesse próprio.

Até às 11h30 estávamos todos na Praça do Buriti, ouvindo discursos. Depois, com o objetivo de mostrar mesmo à população que é necessário se manifestar de alguma forma contra a corrupção, paramos o trânsito no sentido Buriti-JK. Nesse momento, cartazes eram levantados, apitos eram ouvidos, coros eram feitos. Ou seja, o que se entende por uma manifestação política. A polícia, que cercava todo o Buriti, começou a redirecionar o trânsito. Até então, tudo tranquilo: cidadãos se manifestando e o trânsito sendo reorganizado. Vale mencionar, que os carros passavam buzinando e se manifestando contra a corrupção também.

Pouquíssimo tempo depois, me deu a impressão que a manifestão política foi confundida com bandidismo, pois logo a Cavalaria da polícia se posicionou em torno da gente. Pergunta: pra quê isso contra uma manifestão política? Será que nosso Governador corrupto deu ordem para dispersar a manifestão contra ele? O que fizemos? Apenas sentamos no chão e continuamos com nossos coros e cartazes.

Seguimos para o outro lado, sentido TJDFT-Parque. O que fizemos ao parar ao trânsito: coros, cartazes, apitasso. E os carros parados? Começaram a buzinar em protesto também. Logo a polícia redirecionaou o trânsito e os carros puderam seguir. Só que a Cavalaria seguiu para o outro lado também e começou a amedrontar os manifestantes. Correram duas vezes com seus cavalos e seus cacetetes para quê? Dispersar uma manifestação política que àquela altura não atrapalhava nem mais o trânsito. Mas não bastava a Cavalaria. Precisava do BOPE. Alguns estudantes foram conversar com os policiais e estes solicitaram que deixassemos a pista em 10 minutos. Em que época se manifestar politicamente tem hora marcada pela Polícia? Decidimos sair e seguir em direção à Rodoviária pelo gramado. E o que fez o BOPE? Continuou cercando a todos, evitando que seguíssemos para a Rodoviária. Não houve opção a não ser irmos para a pista, novamente no sentido Buriti-JK. Não chegamos a parar os carros. Ficamos circulando entre estes, com os cartazes e os coros. Muitos carros diminuíram a velocidade, buzinaram, pegaram adesivos, etc.

Foi nesse momento que BOPE e a Cavalaria pararam o trânsito e, acho eu, acreditando estarem lidando com bandidos, começaram a vir para cima dos manifestantes com bombas e todo o arsenal. Um manifestante foi pego, machucado, levado para o gramado. Alguns cinegrafistas da imprensa estavam bem próximos filmando toda esta cena e os policiais do BOPE começaram a bater neles e lançar bombas para que eles não conseguissem mais filmar. Eu estava atônita: o Estado, com o seu uso legítimo da força, impedindo a impressa de narrar os fatos ao resto da sociedade! Que democracia é esta?

A relação entre a quantidade de policiais e a quantidade de manifestantes era tão desproporcional que eu me indagava o tempo todo: que instituições democráticas são essas que se utilizam da força em uma manifestação política?!?! Por que não optaram em redirecionar o trânsito e assegurar a manifestação? Por quê inibir a manifestação?

Meus queridos, não achem que apenas discutindo no elevador, no cafezinho, ao telefone, a corrupção irá acabar. Percebemos que o Arruda está se utilizando de toda a máquina pública, mesmo após os escândalos, a seu favor. Ontem, muitas Administrações Regionais bancaram a ida de apoiadores à CLDF. Hoje, todo o aparato policial contra um grupo de cidadãos. Ao mesmo tempo, os parlamentares corruptos abafando os pedidos de impeachment. O DEM, prefere aguardar. E vocês, vão aguardar o Natal para terem o que conversar na Ceia: “poxa! Você viu? E o Arruda, hein? Nada aconteceu de novo! Esse país! Não tem jeito mesmo!” Não se esqueçam que um país é feito de pessoas, é construído na base das atitudes individuais e coletivas. Não aguardem apenas o momento das eleições para agirem politicamente. A política é muito mais que isso: é o exercício diário em relação à tudo que é comum à sociedade!

Por isso, peço, mais uma vez. Na verdade, imploro: se manifestem! Coloquem um adesivo no carro, uma blusa, uma faixa na janela, saiam de branco amanhã, acompanhem não apenas pela mídia o que está acontecendo. Nenhuma dessas atitudes nos tirará da rotina e nem demandará tempo. Contudo, demonstrará que não somos um povo apático politicamente.

Grande abraço,

Jaciane Milanezi”


Planta do cerrado!

novembro 13, 2009

Flor na trilha da Chapada dos Veadeiros


Chamem a turma do Fora Sarney!

novembro 12, 2009

Recebi este relato do colega Mylton Severiano, colunista aqui da revista da Fenae Agora (dos empregados da Caixa). Fiquei indignada com o nível de selvageria diante do lançamento de um livro. Ao terminar de ler o relato, pensei: onde está a turma do fora Sarney, pra prestar solidariedade ao nosso querido Mylton Severiano e ao Palmerio Dória?!

Leiam a íntegra do relato. Comentem. Divulguem.

***
Os jornalistas abaixo-assinados, Palmerio Dória e Mylton Severiano, denunciam aqui a ação fascistoide de um grupo de jovens, a mando do grupo ligado a José Sarney, em São Luís do Maranhão.

1. Antecedentes. Palmerio, autor do livro Honoráveis Bandidos, da Geração Editorial, e Mylton, co-autor, a convite de jornalistas de São Luís, aceitaram lançar o livro na capital maranhense, ontem, dia 4 de novembro de 2009, às 19 horas. Para começar, nenhuma grande livraria local, ou entidade, aceitou promover o evento, além do que nem sequer aceitam o livro em suas prateleiras. Até que, lembrado o Sindicato dos Bancários, suas portas se nos abriram e para ali ficou marcado o lanç amento. Na antevéspera, mais um ato que lembra métodos fascistas: a empresa responsável pelos outdoors que anunciavam o evento devolveu o dinheiro aos promotores e mandou “raspar” as peças.

2. O clima à nossa chegada, na terça, véspera do ato, começou a ficar “esquisito”, quando na coletiva à imprensa, numa sala do Sindicato, alguns colegas nos perguntaram se a gente não tinha “medo”. Falou-se em “corte de energia” durante o evento, brincou-se com a possibilidade de cada um levar uma vela, e alguns dos colegas não descartaram até atos de violência. À noite, em programa ao vivo na rádio Capital, vários ouvintes nos alertaram para aquelas possibilidades – “ele são capazes de tudo”, “cuidado”.

3. Ontem, quarta, no fim da manhã, uma colega, Jane Lobo, mais realista, aconselhou – e acatamos – a pedir proteção.

4. Veio a noite. O auditório do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, estava superlotado, havia muita gente em pé. Um ambiente familiar – gestantes, gente idosa, crianças pequenas e grandes, estudantes. Por ali passaram mil pessoas.

5. Iniciada a sessão pelo coordenador Marcos Nogueira, quando Palmerio passa a falar sobre o conteúdo do livro, eis que do nosso lado direito uma vintena de jovens, na maioria rapazes e umas poucas moças, prorrompem em berros, aos poucos distinguimos “Jackson ladrão, envergonha o Maranhão”, “mentira”, “viva Sarney”. As pessoas mais próximas se levantam e se afastam, abrindo um claro. Os baderneiros abriram suas camisas, pondo à mostra uma camiseta em que se lia Navalhada de Bandidos e atrás de grades Jackson Lago, o governador que a família Sarney derrubou num golpe do judiciário. Dentre os baderneiros, um rapaz, possesso, ergueu uma das pesadas cadeiras e a arremessou na direção do palco onde estávamos. Imediatamente uma chuva de objetos voou sobre a mesa – bolas de papel molhado, ovos e até pedras – junto com xingamentos e outros impropérios.

6. Seguiu-se um quebra-quebra, pancadaria, promovida pelos baderneiros.

7. Passada a estupefação, os presentes mais os seguranças providenciados pelo Sindicato passaram a expulsar os baderneiros do local aos tapas e empurrões. Boa parte do público se retirou, preocupada, “eles vão voltar”.

8. Reiniciado o ato, os presentes cantaram Oração Latina, puxada ao violão pelo cantor e compositor Cesar Teixeira. A platéia e políticos, das mais diversas extrações, se deram as mãos durante o canto.

9. Felizmente nenhuma criança se feriu. Uma pessoa das relações de Jackson Lago foi buscar seu carro na rua de trás do Sindicato, Rua dos Afogados, e testemunha: ali havia cinco viaturas da PM, esperando o quê, não se sabe. E, praticamente no mesmo instante, menos de cinco minutos depois, Décio Sá, jornalista “guerrilheiro” dos Sarney, que se encontrava em Fortaleza, já postava em seu blog notícia em que os baderneiros viraram estudantes que protestavam contra o lançamento do l ivro e “foram atingidos por cadeiras, pedras, socos e pontapés e revidavam como podiam”.

10. Enquanto os autores retomavam a sessão, um grupo foi à delegacia de polícia mais próxima registrar B.O., Boletim de Ocorrência. Dissemos que os baderneiros vieram a mando do grupo ligado a José Sarney e eles próprios, desastrados, se encarregaram de deixar prova cabal: uma moça, Ana Paula Ribeiro, tida nos meios estudantis como “estudante profissional”, ao sair correndo deixou cair a bolsa, com sua identidade dentro. A moça trabalha simples mente com Roberto Costa, secretário de Esporte e Juventude da governadora Roseana Sarney.

11. Toda a confusão armada pelos baderneiros foi fotografada e filmada por profissionais contratados pelo evento.

12. Mesmo com este ataque fascistoide, Palmerio e Mylton assinaram mais de 500 livros, o que demonstra a sede de informação sobre a família que há meio século governa o Maranhão.

Palmerio Dória e Mylton Severiano

São Luís, 5 de novembro de 2009


Produtos orgânicos terão selo federal

novembro 11, 2009

Já estava demorando: a partir de 2010 os produtos orgânicos terão um selo do governo federal, o que vai facilitar a identificação desses produtos no mercado. Os produtos serão certificados pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SISOrg).

A notícia é muito boa, ajuda a dar mais credibilidade aos produtores orgânicos e dá mais segurança pra quem está pagando caro por essa saudável opção! Resta saber se um dia teremos enfim produtos orgânicos com valores mais competitivos. Atualmente, pra levar uma fruta orgânica pra casa gasta-se duas ou três vezes mais o preço de uma produzida nos moldes convencionais. Essa pesquisa não é nada científica, eu to chutando uma média com base nos preços do supermercado Pão de Açúcar perto de casa, aqui em Brasília, não sei como é em outros estados.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República informa que os requisitos para a utilização do selo foram publicados no Diário Oficial da União, em portaria desta sexta-feira (6). O uso do selo está sujeito à verificação com as normas regulamentadas pelo Organismo de Avaliação da Conformidade (OAC), credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O governo também teve a feliz iniciativa de lançar um site sobre orgânicos, no endereço www.prefiraorganicos.com.br. Lançado no último dia 28 de outubro, o endereço eletrônico registrou mais de dois mil acessos em 10 dias. Os internautas brasileiros representaram 80% das entradas, com 1.675 visitas, principalmente de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O site também despertou interesse de franceses, americanos, portugueses, alemães e italianos.

É minha gente! Agora só falta o governo inventar um selo pra identificar os produtos que têm origem ou compostos de organismos geneticamente modificados (também conhecidos como “trangênicos”). Vamos torcer!

Esse artigo bem que merece ser replicado no Ecoblogs, não?! Será que alguém já divulgou essa excelente iniciativa por lá? Bora pessoal, bora divulgar que notícia boa é pra circular.


Golpe democrático, ditabranda e o pobre herói

outubro 19, 2009

Vivemos tempos realmente incríveis: os jornais, as TVs, as emissoras de rádio, os blogs e sites publicam a todo instante idéias que num primeiro momento parecem facilmente aceitáveis, mas que no fundo exigem um pouco mais de tempo para nossa reflexão. Vou citar três exemplos que tenho lido com certa freqüência ao longo dos últimos três meses: os termos “golpe democrático” e “ditabranda” e o conceito que vou chamar aqui nesse artigo de “pobre herói”.

O primeiro deles – “golpe democrático” – está sendo citado quando o assunto é Honduras. Um sociólogo pós-graduado, articulista de uma grande revista semanal brasileira (Época) escreveu um artigo no mínimo intrigante sobre como esse brilhante conceito se aplica ao caso de Honduras, dizendo, em resumo, que Micheletti deu um “golpe democrático” ao tirar o presidente eleito “Zelaia” do poder.

Confesso que fiquei sem entender. Quer dizer que no dia que eu discordar politicamente do governador Arruda, aqui em Brasília, eu posso convocar a polícia pra ir até a casa dele, pegar ele de pijama, botar num avião e jogar o cara em alguma cidade da Argentina, e isso será considerado democrático? Nossa, vou fazer isso amanhã mesmo!

Vamos falar sério. Pode a democracia nascer de um golpe? E a assembleia constituinte, serve pra quê? é enfeite? Algum jurista, algum entendedor de teoria do estado ou o que seja pode me dar alguma explicação razoável sobre isso? Eu preciso de uma explicação pois termos como esse “golpe democrático” circulam impunemente pelos jornais como se fosse a coisa mais natural e elementar o do mundo. Azar é o meu que não tenho “inteligência” pra entender desse tema.

No blog do espaço aberto há uma explicação bem interessante de como esse termo simplesmente não pode existir. E se não pode existir, trate-se de uma falácia. E onde há falácia, há fogo: o que não se quer discutir? Por que é tão difícil admitir o fato de que Honduras sofre um golpe de estado? É fato, minha gente. Por que o tal cientista político que escreveu o artigo na Época não defende abertamente o golpe de estado em Honduras? Aqui no Brasil nós somos democráticos, o cara pode defender a opinião que ele quiser, mas por favor, vamos nos basear nos fatos.

A “ditabranda” é outro exemplo de termo que serve para encobrir um fato. O que houve no Brasil foi considerado ditadura e pronto. Não existe régua de medir a brutalidade de uma ditadura. Se é ditadura, é brutal. Pois o jornal Folha de São Paulo chamou de ditabranda a nossa ditadura, atitude que ultrapassa qualquer liberdade opinativa. Se a Folha de São Paulo é a favor da ditadura, vai lá e defende. Se ela considera que torturar, suprimir direito de defesa e coisas desse tipo que ocorreram na ditadura brasileira, são “um mal necessário” vai lá e expressa a opinião. Está no direito dela de opinar livremente nesse país democrático. Mas não inventa ditabranda, porque isso não existiu e nunca vai existir.

Agora vamos ao conceito do “pobre herói”, que é mais sofisticado, sutil. Quem já não leu aquela matéria falando que o desemprego é grande porque as pessoas de baixa renda não são qualificadas? Ou então dizendo que o acesso às universidades públicas ainda é o mais democrático porque o critério é de mérito, entra quem tem capacidade? Ou ainda, dizer que a solução para quem nasce pobre é estudar e trabalhar a vida toda? Tudo isso é verdade, sim. Metade da verdade. A outra metade é a criação do que eu chamo do mito do “pobre herói”, construído e reconstruído todos os dias na imprensa e na vida cotidiana.

Todas essas meias verdades escondem o fato de que nascer filho de um analfabeto, num lugar pobre da periferia, sem água encanada, dividindo um cômodo com tantos outros irmãos, estudar (quando não estiver vendendo bala no farol) naquela beleza de colégio público, e ao mesmo tempo almejar vencer na vida não é viver. É um ato de heroísmo!

Claro que estudar e trabalhar é importante. É óbvio. Mas o que deveria ser mais óbvio é a diferença entre nascer com condição digna (ter uma infância sadia, estudar, se preparar, entrar no mercado de trabalho depois de uma faculdade e outras qualificações devidas) e nascer num lugar sem condição nenhuma, em plena situação de vulnerabilidade social. É uma competição covarde.

É você obrigar que toda a pessoa pobre seja um herói para conseguir viver dignamente. E mais: você deixa de discutir políticas públicas, começa a criticar o bolsa família, começa a achar que a pessoa que nasceu pobre nasceu assim por um azar divino, ou porque é preguiçosa e por aí vai um mar de explicações. No final chega-se a uma cultura que só aceita o pobre se ele for herói, isto é, se ele vencer todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Ele não pode simplesmente ser gente, tem que ser herói, tem que provar que o sistema está certo, que a melhor política é essa que está aí. E ai de quem se organizar pra pleitear coletivamente por algo melhor.

Podem observar! Comprem aquelas revistas que falam do “candidato ideal” para o “emprego ideal”. Observem como elas colocam no âmbito individual um problema que na maioria das vezes é do coletivo. Precisamos pensar coletivamente em formas de incluir mais pessoas no trabalho, com uma jornada de trabalho reduzida, com mais qualidade de vida para todos.

É hora de questionar a acumulação de dinheiro que não tem lastro no trabalho!

Pensem num empresário, num bem-sucedido empresário. Por mais que ele trabalhe num posto de altíssima complexidade e responsabilidade, 10 horas por dia ou mais, não há o que justifique ela ganhar 100 mil vezes mais pelo seu trabalho do que uma outra pessoa de que exerce um trabalho menos especializado. Como o sistema permite tamanha discrepância na valorização do trabalho?

Permite porque não se discute. Coloca-se o desemprego no âmbito individual. São sempre os trabalhadores que não se esforçam para se encaixar nos empregos gerados, eles é que não têm ambição, que não sabem se comportar numa entrevista de emprego. Ou seja, as causa estruturais nunca são levadas a um debate aberto e público, nunca estão nas novelas, nas artes, nos programas humorísticos, para participação popular.

Encerro esse artigo com uma tinta profética: essas grandes falácias vão cair uma a uma. Questão de tempo. Até lá, façamos a nossa parte: vamos seguir denunciando as falácias pelo território livre da blogosfera.


Ator Pedro Cardoso esclarece o que é interesse público

outubro 14, 2009

Pedro Cardoso concedeu uma entrevista para Leda Nagle e nos brindou com uma lúcida explicação sobre o que é interesse público e sobre como os donos das grandes mídias estão embaralhando esses conceitos, por motivos estritamente econômicos. Já era fã desse ator, agora fiquei mais fã ainda. Confiram. É pra assistir e divulgar.

Obs. Agradeço ao Nassif por ter publicado esse vídeo em seu blog: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/14/um-libelo-contra-a-invasao-de-privacidade/.


Arquivo do jornalista Aloysio Biondi será doado a centro de documentação da Unicamp nesta sexta

setembro 16, 2009

Excelente notícia do coletivo do Biondi! Acompanhei o processo de organização dos arquivos até a doação do acervo para a Unicamp. Leiam e comemorem vocês também! ;)

Material resulta de 44 anos de atividade de um dos mais destacados e combativos profissionais que a imprensa brasileira já teve

Quarenta e quatro anos de jornalismo, traduzidos em passagens por diversas redações, extensas jornadas de trabalho, incansável pesquisa e preocupação permanente com os rumos de nossa nação e as condições de vida da população brasileira. Essa é a substância do arquivo pessoal de Aloysio Biondi, que será doado nesta sexta (18) ao Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalio (Cedae). A doação faz parte do projeto O Brasil de Aloysio Biondi (www.aloysiobiondi.com.br), idealizado por sua família e por amigos e ex-alunos com o objetivo de manter vivos e de divulgar os ideais de um dos mais respeitados profissionais de imprensa que o país já teve.

O jornalista publicou mais de 2 mil artigos, editoriais, entrevistas e reportagens ao longo de suas quatro décadas de atividade profissional. Grande parte desse conjunto documental foi mantida por ele ou recuperada pelo projeto de memória, e será transferida ao Cedae, órgão vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O acervo compreende também livros, revistas, recortes de jornal, relatórios, censos e outras fontes de informação consultadas. Muitos itens contêm anotações de Biondi e dão precisas indicações sobre seu método de trabalho.

A cerimônia de doação do acervo ocorrerá às 10h, na sala de defesa de teses, no 2o. piso do bloco VII do Instituto de Estudos da Linguagem. Contará com a presença dos filhos de Aloysio Biondi, Pedro, Antonio e Beatriz; da ex-mulher, Angela Leite – mãe dos seus três filhos e sua companheira por cerca de 20 anos –; do secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt; do reitor da Unicamp, Fernando Costa; do Diretor do IEL, Alcir Pécora; e do coordenador do Cedae, Jefferson Cano.

“A doação para a Unicamp cumpre exemplarmente com o objetivo de tornar público o acervo do jornalista”, avalia Antonio Biondi, coordenador do projeto O Brasil de Aloysio Biondi. “A manutenção do arquivo na universidade consolida a contribuição de Aloysio e de sua obra para a memória e o futuro do jornalismo brasileiro e de nossa sociedade.”

Ao longo de 25 anos, o IEL vem sediando pesquisas nas áreas de linguística e estudos literários. Em 2008, o instituto iniciou o programa de mestrado em divulgação científica e cultural, resultante de uma parceria com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). O curso, com sua proposta de formar especialistas capazes de abordar sob diversos enfoques o jornalismo de divulgação da ciência, tecnologia, arte e cultura em geral, integra diferentes áreas do conhecimento e reforça a tendência que norteou a criação do IEL: a promoção de uma reflexão crítica sobre todas as manifestações da linguagem. Em consonância com essa expansão da pós-graduação do IEL, o Cedae implementa uma nova diretriz à sua política de acervos, que se abre para a captação e guarda de conjuntos documentais de interesse para a história e a linguagem do jornalismo, de modo a acompanhar e subsidiar o desenvolvimento dessa nova área de pesquisa na Unicamp.

Aloysio Biondi (1936-2000) é considerado uma referência no jornalismo, sobretudo na área econômica. Sua carreira começou em 1956, na então Folha da Manhã, hoje Folha de S. Paulo. Ele também trabalhou na Gazeta Mercantil, no Jornal do Commercio, no Diário do Comércio e Indústria-DCI, no Correio da Manhã, no Diário da Manhã, no Diário Popular, atual Diário de S.Paulo, e nas revistas Veja, Visão e Fator. Colaborou, ainda, com artigos em diversas publicações alternativas, com destaque para o jornal Opinião, um dos mais importantes espaços de debates durante o regime militar, e as revistas Bundas e Caros Amigos. Biondi ganhou dois Prêmios Esso, em 1967 e 1970. Publicou, em 1999, o livro O Brasil Privatizado – Um Balanço do Desmonte do Estado, pela Editora da Fundação Perseu Abramo. O estudo, que faz um balanço entre o que o governo auferiu e despendeu no processo de desestatização da economia, vendeu mais de 140 mil exemplares.

O arquivo que será doado ao Cedae exigiu do projeto O Brasil de Aloysio Biondi nove anos de catalogação de material impresso, pesquisas em bibliotecas, visitas a jornais, discussões via e-mail e reuniões. Além do acervo em papel, o trabalho permitiu a postagem de mais de mil artigos e reportagens no site www.aloysiobiondi.com.br. Entre os temas abordados estão soberania nacional e dependência externa, privatizações e o papel do Estado, agricultura, emprego e renda, meio ambiente, direitos do consumidor e ética jornalística. Até o momento, o acervo online abrange a produção de Biondi nas décadas de 60, 70, 80 e 90, incluindo as matérias com que ele venceu o Prêmio Esso. A página, toda em em software livre, traz também depoimentos do jornalista em áudio e vídeo, fotos de momentos marcantes de sua carreira e de sua vida e fac-símiles de alguns de seus principais trabalhos. Estão ali, ainda, testemunhos sobre ele escritos por Washington Novaes, Luis Fernando Verissimo, Emir Sader, Janio de Freitas e Ziraldo, entre outros.

O projeto de memória de Aloysio Biondi foi iniciado em 2000, ano de sua morte. Trata-se de um projeto coletivo, que reúne mais de 50 pessoas em participação voluntária. São parentes, amigos, ex-alunos e leitores do jornalista. Contabilizando os que ofereceram colaborações mais esporádicas – revisar um texto, por exemplo –, o número de participantes passa de 200. A equipe e os colaboradores também podem ser conhecidos na página da internet.