Desescolarizar

A linda da Renata Correa indicou um vídeo que me rendeu muitos insights: uma conversa de quase uma hora com a professora Ana Thomaz.

Ana Thomaz fala da opção que fez de tirar o filho da escola, quando ele ia começar o ensino médio. E explica porque ela achou que a escola não era um lugar para o filho dela. E conta como foi que ela mesma começou a ensiná-lo (seria esse o verbo?) e a aprender com ele. E de como esse processo foi conduzido.

O vídeo não se restringe ao ato em si, de retirar o próprio filho da escola. Ele mostra um pouco de quem é Ana Thomaz, como ela pensa, como ela está no mundo, que experiências ela passou e qual o sentido que ela tem para a vida.

E como ela mesma diz, é um paradoxo: ser professora e rejeitar a escola. É aqui que eu mais me identifiquei com ela: sou jornalista e rejeito o jornal. É um grande alívio perceber que pessoas de outras áreas, outras profissões, também têm dilemas parecidos com os meus.

Só que ela foi longe, muito mais longe do que eu: ela abriu mão da escola e ensinou alguém. Continuou sendo professora, ensinando – e fez isso sem a escola, mas dentro da estrutura que estava ao alcance dela. Ela se colocou esse desafio (que não tem garantia nenhuma de que vai “dar certo”) e está vivendo de acordo com ele. E vivendo bem.

Mas esse é só um dos “insights” – o vídeo bateu o meu recorde de insights por minuto. Ainda estou processando tanta informação. Porque não parece à primeira vista, mas é um vídeo extremamente político. Espero que vocês curtam tanto quanto eu curti. E valeu, Renata Corrêa, pela indicação!

Razões: elas me engordam

Escolhas

A internet é uma panela cheia de razões. E as redes sociais são as pequenas cozinhas que se espalham por esse mundo digital.

A gente experimenta cada coisa que chega o paladar fica até travado – não consegue diferenciar o doce do não tão doce ou do amargo. E todo mundo tem uma receita infalível pra agradar ou (distrair) as línguas dos próximos.

Vejamos: há razões para matar, há razões para morrer. Há razões para encarcerar ou para livrar-nos do mal, amém. Há razões para fazer greve ou para chamar grevistas de vagabundos. Há razões para ignorar a política, sobretudo a partidária, mas não só. E há razões para querer entendê-la, participar dela – casar com ela e constituir família. Há razões para acompanhar novelas – e desacompanhá-las.

Razões: elas me engordam. E há quem diga que não podemos viver sem elas. Está certo, elas são necessárias. Mas o que as escolhe? Quem as rejeita?

Ah, essa minha fome. Não deve ser de razão, não.

Histórias que teimam em brotar

Flor no asfalto

Flor no asfalto

Se a gente tirar do ser humano a capacidade de contar e de ouvir histórias, o que é que sobra? Contar e ouvir histórias é como organizar mentalmente nossos sentidos, como encontrar uma bússola no deserto das aparências. Alguns podem dizer que não gostam desse negócio de ficção que o negócio é vida real – mas ainda assim, a vida real a gente traduz é em história, é contando sucessos, angústias, falando da vida alheia, criando segredos.

Segredos. Que necessidade é essa que temos de colocar pedras (ou mesmo asfalto) sobre determinados assuntos? Como se o asfalto impedisse a terra de ser terra, a semente de ser semente, e a vida de procurar luz.

Daí que as verdades sempre vão brotar por esse mundo. Sempre. É com essa certeza que as pessoas vivem, é por essa certeza que as pessoas sobrevivem.

“Como eu já afirmei publicamente em outras ocasiões, durante muito tempo, no meu período de exílio, fui perseguido pelo fantasma das torturas. Depois de muito esforço consegui perdoar os torturadores e também os que me denunciaram. A partir daí os pesadelos desapareceram. Foi um processo terapêutico para mim, uma forma que encontrei de vencê-los. Já disse também que há situações em que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado. Mas isso, em minha opinião, só faz sentido no âmbito subjetivo, nas relações interpessoais. No âmbito político, essas pessoas têm que ser responsabilizadas judicialmente porque seus crimes não foram somente contra os presos políticos individualmente, mas principalmente contra a sociedade brasileira. E a sociedade tem o direito e a obrigação de responsabilizá-los judicialmente.” – Anivaldo Padilha

As verdades vão continuar brotando aqui e ali. Resta saber quando é que o Estado brasileiro vai continuar se prestando a esse papel desumano de tentar escondê-las.

Este texto faz parte da VII Blogagem Coletiva do #desarquivandoBR

O Mundo Amanhã – comunista x sionista

O intelectual superstar Slavoj Žižek é conhecido por suas contribuições à teoria da psicanálise, à crítica cultural e à política, na qual sempre se engajou para além das discussões acadêmicas – ele foi candidato à presidência da Eslovênia nos anos 90. Cultuado pela jovem vanguarda intelectual europeia, esse notório provocador se define como leninista mas também como lacaniano. Já David Horowitz é um soldado linha dura do pensamento conservador americano – e um sionista sem o menor pudor. Nos anos 60 e 70, foi uma liderança de esquerda na cidade californiana de Berkeley. Depois de colaborar com os Panteras Negras, começou seu caminho sem volta para a direita. Hoje, seu instituto faz campanhas contra influências islâmicas e de esquerda na mídia, na academia e na política.

Este encontro entre mentes tão diferentes é, no mínimo, acalorado. “Você é um apoiador da coisa mais próxima que temos do nazismo”, diz Horowitz. “Você apoia os palestinos. Eu não vejo como diferenciar os palestinos, que querem matar os judeus, dos nazistas”.

Irritado, o esloveno dispara: “Desculpe, você já foi à Cisjordânia?”.

Em alguns momentos, Assange tem que segurar o exaltado Žižek, embora seu adversário esteja em outro continente.

“Nós, totalitários das antigas, deveríamos, nos juntar  e nos livrar deste liberal aqui!” brinca Žižek para Horowitz, referindo-se a Assange.

O tom da conversa varia entre o antagônico e o bem humorado; os três falam de personalidades que vão de Stalin a Obama, do conflito entre Israel e Palestina, do desejo da liberdade ao Estado de vigilância,– passando, é claro, pelo trabalho o WikiLeaks, considerado “perigoso” por Horowitz.

No final, Žižek conclui: “Isso foi uma loucura!”.

Clique aqui para baixar a entrevista completa.

O Mundo Amanhã: Assange entrevista o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah

É, esse post deveria ter sido publicado às 19h. Mas eu tive uns contratempos. Em todo caso, vamos lá!

Esta é a primeira entrevista de Nasrallah feita em inglês em uma década. Enquanto os conflitos se acirram no Oriente Médio, Assange aborda temas espinhosos como a posição de Hezbollah – visto como grande aliado do regime de Assad – no conflito da Síria. “Somos amigos da Síria, mas não agentes da Síria”, responde o libanês, antes de revelar que o Hezbollah procurou setores da oposição síria para pedir que dialogassem com Assad, sem sucesso.

Impossibilitado de deixar a Inglaterra, onde estava em prisão domiciliar, Assange entrevista Nasrallah através de um videolink na casa onde esteve por mais de 500 dias. Por sua vez, Hassan Nasrallah participa da entrevista na sede do Hezbollah no Líbano, cuja localização exata é mantida em segredo por segurança. É lá que ele trabalha sob constante medo de ser assassinado por diferentes grupos e Estados.

Assista a seguir a entrevista, ou clique aqui para baixar o texto completo.

O Mundo Amanhã: Julian Assange entrevista Sayyed Hassan Nasrallah (ep.1)

O Mundo Amanhã: Julian Assange entrevista líderes políticos e ativistas

Julian Assange – O Mundo Amanhã

Inaugurando a nova fase desse blog, vou publicar, em parceria com a Agência Pública, a série de entrevistas “O Mundo Amanhã”, realizada pelo WikiLeaks em parceria com o canal RT, da Rússia. São 12 episódios: o combinado é publicar semanalmente às quartas-feiras, 18 horas, a partir do dia 3 de outubro (hoje!). Sim, eu vou tratar de cumprir o combinado! Cada episódio tem cerca de meia hora de duração.

Na série,  o fundador do Wikileaks Julian Assange vai entrevistar pensadores e líderes políticos em busca de ideias que podem mudar o mundo. No primeiro episódio, Assange entrevista o líder do Hezbollah Sayyed Hassan Nasrallah. Nos demais episódios teremos Noam Chomsky, Tariq Ali, , Moncef Marzouki e Rafael Correa. Aguardem o link com o vídeo para a entrevista, pois só poderei divulgar a partir das 18h.